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RIQUEZA NO SUBSOLO

Terras raras colocam região de Poços de Caldas diante de nova fronteira da mineração

Empreendimentos querem criar uma cadeia que vai da extração ao refino, mas impactos ambientais aumentam a mobilização regional

Publicado em 31/08/2026 às 13:29

Terras raras colocam região de Poços de Caldas diante de nova fronteira da mineração (Foto: ShutterSotck)

Poços de Caldas e Caldas estão no centro de uma nova fronteira da mineração de terras raras em Minas Gerais. Projetos em desenvolvimento prometem empregos, investimentos e a formação de uma cadeia industrial que pode avançar da extração ao refino dos minerais. Ao mesmo tempo, o crescimento da atividade provoca discussões sobre água, meio ambiente, fiscalização e os benefícios que permanecerão nos municípios produtores.

Em Poços de Caldas, o Projeto Colossus, da Viridis, prevê uma planta de beneficiamento e tratamento de minerais. A estimativa apresentada é de aproximadamente 600 empregos permanentes.

A Viridis Mining & Minerals também anunciou investimento de R$ 25 milhões em um centro de produção de carbonato misto de terras raras. Outra iniciativa prevista é a produção de óxidos por meio do refino do carbonato e da reciclagem de ímãs permanentes descartados.

A estratégia pode colocar Poços em etapas mais avançadas da cadeia produtiva. Em vez de apenas extrair o minério, a intenção é beneficiar, separar e refinar os elementos na própria região.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Franco Martins, a instalação dessas atividades também pode estimular fornecedores e prestadores de serviços.

“Nosso foco hoje é organizar esse fluxo para estar atraindo, além da extração do carbonato, toda a cadeia produtiva”, afirmou.

MUNICÍPIO COBRA CONTRAPARTIDAS

O prefeito de Poços de Caldas, Paulo Ney, afirma que o desenvolvimento da mineração precisa resultar em benefícios efetivos para a população.

A administração municipal passou a cobrar informações sobre impactos ambientais, recursos hídricos, localização das áreas mineradas e compensações econômicas.

Paulo Ney também questiona os valores recebidos pelos municípios por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM.

“A gente acabou de conversar com o pessoal dos ministérios aqui na Exposibram para ver o estudo da possibilidade de o município não ficar somente com a parte ruim da mineração, queremos ter uma contrapartida que ajude diretamente a população”, declarou.

Segundo o prefeito, empresas do setor também devem assumir compromissos sociais com os locais onde desenvolvem suas atividades.

ÁGUA E MEIO AMBIENTE NO CENTRO DO DEBATE

A expansão dos projetos provoca preocupação entre moradores, educadores e organizações ambientais.

Entre os pontos levantados estão a proximidade de áreas previstas para mineração com bairros da zona sul de Poços, possíveis interferências nos recursos hídricos, retirada de vegetação, resíduos do beneficiamento e os efeitos combinados de diferentes empreendimentos.

Também existem questionamentos relacionados à proximidade da Unidade de Descomissionamento de Caldas, antiga área de processamento de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O presidente da Aliança em Prol da APA Santuário Ecológico da Pedra Branca, Daniel Tygel, defende uma análise integrada dos projetos.

Organizações da sociedade civil também reivindicam mais informações e participação da população nas decisões relacionadas aos empreendimentos.

O debate ganhou reforço com uma Informação Técnica do Ibama. O órgão federal apontou a necessidade de considerar possíveis impactos cumulativos e sinérgicos dos projetos e a relação deles com a área da INB.

O licenciamento dos empreendimentos, entretanto, está sob competência estadual.

PREFEITURA CRIA COMITÊ

Poços de Caldas criou um comitê técnico para acompanhar os projetos.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Stéfano Zincone, os estudos apresentados indicam uma mineralização de tratamento relativamente simples. Ele também destacou que o modelo apresentado não prevê barragem convencional de rejeitos.

“Ela não vai ter uma barragem de rejeito, isso diminui bastante o risco ambiental”, afirmou.

O secretário ressalta, porém, que o município continua solicitando informações detalhadas, principalmente relacionadas aos recursos hídricos.

A prefeitura pretende ainda ampliar a cooperação com a Agência Nacional de Mineração para acompanhar e fiscalizar a atividade no território municipal.

CALDAS TAMBÉM RECEBE PROJETO

A poucos quilômetros de Poços, Caldas também ocupa posição estratégica nessa nova corrida mineral.

O Projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, prevê uma planta de beneficiamento de terras raras. A empresa já mantém uma planta-piloto e protocolou pedido de Licença de Instalação após obter a Licença Prévia em dezembro de 2025.

A previsão divulgada é iniciar as operações até o final de 2028.

Um acordo firmado entre município, Câmara e empresa prevê compromissos socioambientais, entre eles monitoramento da argila processada e acompanhamento das águas superficiais e subterrâneas.

O prefeito Ailton Goulart também tem discutido com municípios vizinhos os possíveis impactos e oportunidades da mineração para a região.

EMPRESA DEFENDE EMPREENDIMENTO

A Viridis afirma que o Projeto Colossus segue o processo de licenciamento ambiental e a legislação vigente.

A companhia sustenta que mantém diálogo com moradores, autoridades e entidades e que segurança, proteção ambiental e respeito às comunidades estão entre as premissas do projeto.

Sobre áreas próximas à zona sul de Poços, a empresa informou que a eventual mineração nesses locais está prevista para uma etapa posterior. Segundo a companhia, os sistemas de controle e monitoramento ambiental estariam implantados antes do avanço da lavra.

A Viridis também aponta geração de empregos, renda, arrecadação e oportunidades para fornecedores entre os possíveis benefícios econômicos.

Enquanto os projetos avançam, Poços de Caldas e Caldas enfrentam o desafio de equilibrar duas perspectivas: aproveitar uma oportunidade econômica considerada estratégica e garantir que a exploração mineral não comprometa recursos naturais e a qualidade de vida da população.

A discussão tende a acompanhar todas as próximas etapas do licenciamento e da implantação dos empreendimentos.

Fonte: Metrópoles

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