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MEIO AMBIENTE

Agrônomo chama retirada de árvores da Praça da Matriz de “erro gigantesco”

Profissional questiona avaliação técnica e cobra a divulgação dos laudos que fundamentaram a intervenção

Publicado em 31/08/2026 às 11:21
Atualizado em

Agrônomo chama retirada de árvores da Praça da Matriz de “erro gigantesco” (Foto: José Carlos Nogueira/Arquivo Pessoal)

A supressão de diversas árvores na  Praça da Matriz, em Casa Branca, dividiu opiniões e gerou discussões nas redes sociais nos últimos dias. A intervenção ocorre às vésperas do Festival Gastronômico da Jabuticaba, que será realizado no local, mas a Prefeitura já havia anunciado, em julho, um plano de manutenção da arborização de praças, canteiros e calçadas do município.

Ouvido pelo Portal da Cidade, o engenheiro agrônomo, ambientalista e presidente do Partido Verde de Casa Branca, José Carlos Nogueira, criticou a intervenção e classificou a retirada das árvores como um “erro gigantesco”.

Segundo ele, uma praça pública deve funcionar como espaço de convivência, integração social e lazer, além de contribuir para a qualidade ambiental da cidade. Em um país tropical e diante do aumento das temperaturas, acrescentou, a arborização urbana possui papel fundamental na oferta de sombra e na redução do calor.

Nogueira analisou o caso sob três aspectos: técnico, histórico e de bom senso. Na avaliação dele, a Prefeitura teria falhado nos três pontos.

Agrônomo contesta necessidade das retiradas


Árvores são suprimidas na Praça da Matriz, em Casa Branca - Foto: José Carlos Nogueira

No aspecto técnico, Nogueira afirma que foram retiradas árvores nativas adultas e que a supressão desses exemplares dependeria de justificativa e documentação específicas. O agrônomo também sustenta que as árvores poderiam ter recebido tratamento fitossanitário, caso apresentassem algum problema. “Ali não foram podas, mas supressões totais, o que agrava muito o caso. Absolutamente nada justifica o que fizeram”, declarou.

De acordo com José Carlos, a retirada de árvores de uma praça deve ser precedida por laudo elaborado por profissional habilitado, como engenheiro agrônomo, engenheiro ambiental, engenheiro florestal ou biólogo. O documento, segundo ele, deveria demonstrar que os exemplares estavam comprometidos e sem possibilidade de recuperação.

O agrônomo afirmou ter visitado a Praça da Matriz e disse não ter identificado árvores que, por meio de observação visual, apresentassem necessidade de supressão imediata.

Até o momento, a prefeitura não divulgou laudos individuais dos exemplares retirados nem informações detalhadas sobre espécies, idade, condição fitossanitária e critérios utilizados na decisão. Também não é possível encontrar esse documentos nas plataformas de transparência da administração municipal.

Prefeitura alegou problemas nas raízes e nos galhos

Em comunicado publicado nas redes sociais no dia 17 de julho, a Prefeitura informou que promoveria intervenções nas praças da Matriz e do Rosário, com podas e retiradas de árvores para substituição.


Reprodução/Redes Sociais

Segundo a administração municipal, os exemplares passaram por avaliação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que teria constatado problemas estruturais nas raízes e nos galhos. Essas condições deixariam as árvores vulneráveis a ventanias e ao encharcamento do solo.

A Prefeitura relacionou a medida à segurança das pessoas que frequentam as praças e mencionou a queda recente de uma árvore sobre veículos na Praça do Rosário.

José Carlos Nogueira, entretanto, contesta a explicação. Segundo ele, árvores com problemas graves nas raízes normalmente apresentam sinais visíveis, como poucas folhas, amarelamento, baixo crescimento e redução do florescimento. “Caso isso estivesse acontecendo, deveriam tratá-las e não matá-las”, afirmou.

O agrônomo explicou que existem exames mais avançados para avaliar a estrutura interna das árvores, mas que a observação técnica é o método mais habitual. No caso de suspeita de problemas nas raízes, ele defende que deveriam ser realizadas escavações, coleta de amostras e análises antes da decisão pela retirada.

Para Nogueira, a quantidade de árvores atingidas também precisaria ser tecnicamente explicada. Ele considera improvável que tantos exemplares apresentassem simultaneamente problemas radiculares graves.

Impactos ambientais e históricos

No aspecto ambiental, Nogueira destacou que árvores adultas oferecem benefícios que não podem ser imediatamente recuperados com o plantio de mudas. Segundo ele, alguns dos exemplares retirados teriam mais de 80 anos e ultrapassariam nove metros de altura.

Além da sombra, as árvores contribuíam para a redução da temperatura, produziam flores e frutos e serviam de habitat para pássaros, insetos e pequenos animais.

O agrônomo ressaltou que a reposição, embora necessária, não compensará imediatamente a perda. Mesmo com o plantio de novas espécies, serão necessárias décadas para que alcancem porte semelhante ao dos exemplares retirados.

José Carlos Nogueira/Engenheiro Agrônomo/Casa Branca

Árvores Históricas

No quesito histórico, essas árvores serviram de símbolos de vários momentos históricos de Casa Branca, quando grande parte delas foram plantadas em datas comemorativas, por personalidades locais, visitantes ilustres, escolas, etc. Foram cenário de milhares de fotos de cidadãos que não estão mais entre nós. "Um povo sem memória, é um povo sem futuro".

José Carlos Nogueira/Engenheiro Agrônomo/Casa Branca

Reposição deve priorizar árvores nativas e de maior porte

A Prefeitura informou, no comunicado de julho, que as árvores efetivamente suprimidas seriam substituídas por exemplares similares ou por espécies da flora nativa. O município também anunciou que novos plantios começariam em setembro, em diferentes pontos da cidade.

Nogueira defende que a recomposição da Praça da Matriz utilize árvores nativas e exemplares com o maior porte possível, como forma de reduzir o tempo necessário para recuperar parte dos benefícios ambientais perdidos.

Para ele, a intervenção também exigirá a reestruturação do jardim da praça. O agrônomo criticou ainda a atuação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que, em sua avaliação, deveria ter impedido as supressões.

O comunicado da Prefeitura não informa quantas árvores foram retiradas da Praça da Matriz, quais espécies foram atingidas, quem elaborou os laudos, quais tratamentos foram considerados antes da supressão nem o cronograma específico de reposição.

Também não há confirmação oficial de que a retirada tenha relação com a realização do Festival Gastronômico da Jabuticaba. O anúncio da manutenção foi publicado em julho e abrangia, além da Praça da Matriz, a Praça do Rosário, canteiros e calçadas mapeados pela Secretaria de Meio Ambiente.

O espaço está aberto para manifestação da administração municipal.

Fonte: Portal da Cidade Casa Branca

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