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EDITORIAL

O que mudou no voto de Casa Branca entre 2018 e 2026

Comparação com 2018 e 2022 mostra continuidade na escolha presidencial e mudança no comportamento para governador

Publicado em 14/10/2026 às 17:24
Atualizado em

O que mudou no voto de Casa Branca entre 2018 e 2026 (Foto: O que mudou no voto de Casa Branca entre 2018 e 2026)

Casa Branca mudou menos sua preferência para presidente do que sua escolha para governador nos últimos oito anos. A família Bolsonaro manteve a maioria dos votos presidenciais desde 2018. Na disputa estadual, o caminho foi diferente: uma cidade que dividiu suas escolhas entre três candidatos passou a dar ampla vantagem a Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Essa diferença ajuda a compreender o resultado local de 2026. A força da direita tem continuidade, mas não significa que o eleitorado tenha votado sempre da mesma maneira para todos os cargos. Em 2018, por exemplo, Casa Branca deu maioria a Jair Bolsonaro para presidente e a Márcio França (PSB) para governador no segundo turno.

A preferência presidencial resistiu à troca de candidatos

No primeiro turno de 2018, Jair Bolsonaro recebeu 64,44% dos votos válidos em Casa Branca. Fernando Haddad (PT) ficou com 8,62%, atrás também de Geraldo Alckmin (PSDB), que alcançou 10,88%

A distância aumentou na etapa final: Bolsonaro terminou o segundo turno com 79,17%, diante dos 20,83% de Haddad. Quase quatro em cada cinco votos válidos foram destinados ao então candidato do PSL.

Em 2022, a maioria permaneceu com Bolsonaro, mas a disputa ficou menos desigual. Lula recebeu 31,08% no primeiro turno e chegou a 33,36% no segundo. Bolsonaro encerrou a eleição no município com 66,64% — uma vitória local ampla, embora menor que a registrada quatro anos antes. 

Os números de 2026 mantêm esse desenho. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 8.681 votos e 63,40% no primeiro turno, próximo dos percentuais alcançados pelo pai nas primeiras etapas das duas eleições anteriores.

Lula somou 3.836 votos e 28,01%. Perdeu espaço em relação ao primeiro turno de 2022, mas conservou uma participação superior à obtida por Haddad em 2018.

A leitura é de continuidade da maioria bolsonarista, acompanhada por uma presença petista mais expressiva que há oito anos. A mudança de candidatos e de contexto, contudo, impede tratar cada diferença como adesão ou rejeição exclusiva a um partido.

Para governador, a mudança foi maior

Em 2018, não havia uma preferência estadual tão concentrada. Márcio França, João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) terminaram o primeiro turno praticamente lado a lado em Casa Branca. Apenas 92 votos separaram o primeiro do terceiro colocado. 

França venceu a votação municipal no segundo turno por 163 votos: teve 50,68%, contra 49,32% de Doria. Na mesma eleição em que Bolsonaro obteve sua maior vantagem presidencial na cidade, a escolha para governador seguiu outra direção. 

Esse cenário mudou em 2022. Tarcísio liderou desde o primeiro turno, com 58,29%, e terminou o segundo com 67,13%. Haddad ficou com 32,87% na rodada final. As maiorias para presidente e governador passaram, então, a convergir para candidaturas do campo bolsonarista. 

Em 2026, Tarcísio aparece com 9.056 votos e 73,20% no primeiro turno. Na comparação com a mesma etapa de 2022, ganhou 1.595 votos. Haddad recebeu 3.225 votos e 26,07%, percentual próximo dos 27,10% registrados quatro anos antes.

Para deputado, o voto se distribui entre diferentes forças

A vantagem da direita nas disputas presidencial e estadual também aparece na votação para deputado em 2026, mas com espaço para outras forças políticas. Na escolha federal, a diferença entre os dois primeiros colocados em Casa Branca foi de apenas 16 votos.

Lucas Pavanato (PL) liderou com 1.778 votos, seguido por Baleia Rossi (MDB), com 1.762. A proximidade contrasta com as margens das disputas majoritárias e mostra que a preferência local assume outra distribuição quando o eleitor escolhe seus representantes no Legislativo.

O PL ocupou seis posições entre os dez federais mais votados. Além de Pavanato, aparecem Mario Frias, com 587 votos; Miguel Lombardi, com 423; Delegado Paulo Bilynskyj, com 296; e Renato Bolsonaro, com 248.

A esquerda manteve presença com Paulo Teixeira (PT), que recebeu 452 votos; Erika Hilton (PSOL), com 444; e Rui Falcão (PT), com 337. Kim Kataguiri (Partido Missão), com 307, também integrou os dez primeiros.

Para deputado estadual, Eduarda Campopiano (PL) liderou com 1.302 votos. Caruso (MDB) ficou em segundo, com 989, seguido por Matheus Serafim (PP), com 834, e Barros Munhoz (PSD), com 744.

Na sequência aparecem Luiz Fernando (PT), com 475 votos; Paulo Fiorilo (PT), com 278; Rômulo Rippa (PSD), com 275; Tenente Coimbra (PL), com 269; Carlos Giannazi (PSOL), com 247; e Alex Madureira (PL), com 234.

O conjunto reforça a presença da direita, mas também evidencia a participação de MDB, PSD e candidaturas de esquerda entre as preferências municipais. 

Uma maioria que precisa ser compreendida em cada disputa

O histórico coloca Flávio em posição favorável entre os eleitores de Casa Branca no segundo turno. A definição dessa etapa depende, porém, da votação nacional para presidente.

As eleições anteriores também deixam uma referência: a maioria pode permanecer e, ainda assim, mudar de tamanho. Foi o que ocorreu com Bolsonaro entre 2018 e 2022. Para a oposição, ampliar sua presença exige alcançar eleitores além dos apoios já conquistados; para os líderes locais, o desafio é preservar a vantagem até a votação final.

Fonte: Portal da Cidade Casa Branca

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