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Opinião

Quem decidiu os rumos da Santa Casa sem ouvir a irmandade?

"Se um convênio é bom, ele deve resistir à transparência" - Eurico Sassi fala sua opinião sobre a condução institucional da Santa Casa

Publicado em 09/05/2026 às 09:46
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Quem decidiu os rumos da Santa Casa sem ouvir a irmandade? (Foto: TV Câmara/Reprodução)

Por Eurico Sassi - Vereador, ex-vice-prefeito, ex-provedor da Santa Casa e membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca

A Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca não é apenas uma instituição de saúde. Ela é parte da história da nossa cidade, patrimônio moral da nossa população e, acima de tudo, o único hospital do nosso município. Por isso, tudo o que envolve seu presente e seu futuro precisa ser tratado com transparência, responsabilidade e respeito à sua história institucional.

Como vereador, ex-vice-prefeito, ex-provedor da Santa Casa e membro da irmandade, sinto-me no dever de fazer perguntas que, até agora, continuam sem respostas claras. Não faço isso por oposição ao progresso de Casa Branca. Faço porque acredito que o verdadeiro progresso não se constrói com dúvidas, silêncio ou decisões tomadas sem o devido conhecimento daqueles que fazem parte da instituição.

Uma das questões que mais preocupam é a forma como estão sendo conduzidas as nomeações de provedores da Santa Casa. Quais critérios estão sendo adotados? Quem está participando dessas decisões? A irmandade está sendo ouvida? Há atas, convocações, deliberações formais e comunicação adequada aos membros? Essas perguntas são legítimas e precisam ser respondidas com documentos.

Também é necessário esclarecer se houve alguma mudança no estatuto da Santa Casa. Se houve alteração estatutária, quando ela ocorreu? Quem convocou a assembleia? Quais membros foram comunicados? Qual foi a pauta apresentada? Como membro da irmandade, afirmo que nunca fui informado sobre mudanças no estatuto. E, pelo que se espera de uma instituição com a importância da Santa Casa, qualquer alteração dessa natureza deveria passar por convocação regular de assembleia, com ampla ciência dos membros e respeito às normas internas.

Quem reassumiu a condução da instituição? Sob qual fundamento? A Santa Casa não pode viver em uma espécie de zona cinzenta administrativa, na qual a população, os membros da irmandade e até antigos dirigentes ficam sem saber quem decide, com base em quê e em nome de quem.

O convênio com São José do Rio Preto aumentou ainda mais essa preocupação. Pelo que veio a público, trata-se de um acordo de grande valor, com impacto direto na imagem e na responsabilidade da Santa Casa. A impressão que fica é a de um convênio assinado sem o debate necessário, quase na calada da noite, sem que a sociedade e a própria irmandade tivessem conhecimento prévio suficiente sobre os riscos, as obrigações e os benefícios reais para Casa Branca.

Tem sido dito, inclusive por vereador, que a Santa Casa iria terceirizar parte do serviço e ficar com uma parcela do valor. Mas qual parcela seria essa? Onde isso está escrito? Em qual documento está especificado quanto caberia à Santa Casa, quanto seria repassado a terceiros e quais serviços seriam efetivamente executados por cada parte? Se essa informação existe, ela precisa ser apresentada de forma clara à população.

Quando se fala em milhões de reais, em recursos públicos e em uma instituição hospitalar que pertence à história afetiva de Casa Branca, é preciso explicar quais contratos seriam firmados, quais empresas participariam da execução, quais responsabilidades ficariam com a Santa Casa e quais garantias existiam de que a instituição não seria exposta a riscos administrativos, financeiros ou jurídicos.

Será que realmente somos contra o progresso de Casa Branca ou estamos tentando proteger o nosso único hospital? Pedir documentos não é fazer oposição à cidade. Pelo contrário, é agir com zelo diante de uma instituição que não pertence a um grupo, a uma gestão ou a interesses momentâneos. A Santa Casa pertence à sua missão, à sua irmandade e à população que depende dela.

Casa Branca precisa crescer, precisa avançar e precisa buscar oportunidades. Mas nenhum avanço pode ser construído às custas da fragilização da Santa Casa. O desenvolvimento que queremos deve fortalecer o hospital, ampliar sua capacidade de atendimento e preservar sua credibilidade. Se um convênio é bom, ele deve resistir à transparência. Se uma decisão é correta, ela deve ser explicada. Se uma nomeação é legítima, ela deve estar amparada pelas regras da instituição

Por isso, mais do que apontar culpados, este artigo busca cobrar clareza. A Santa Casa precisa informar à irmandade e à população como estão sendo tomadas suas decisões internas, qual é a situação real do estatuto, quem está autorizado a representar a instituição, como se deu o encerramento da intervenção e quais eram exatamente os termos do convênio firmado com São José do Rio Preto.

Defender a Santa Casa é defender Casa Branca. E, neste momento, defender a Santa Casa significa exigir transparência, respeito à irmandade e responsabilidade com o futuro do nosso único hospital.

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