Portal da Cidade Casa Branca

CASO SANTA CASA

MPF pede bloqueio de pagamentos ligados ao convênio da Santa Casa

Recomendações foram enviadas ao prefeito de Rio Preto, ao Fundo Nacional de Saúde e ao interventor da Santa Casa

Publicado em 07/05/2026 às 14:02
Atualizado em

MPF pede bloqueio de pagamentos ligados ao convênio da Santa Casa

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Inquérito Civil para apurar o convênio firmado entre a Prefeitura de São José do Rio Preto e a Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, e expediu três recomendações relacionadas ao caso. Os documentos, datados de 5 de maio de 2026, tratam da suspensão de pagamentos e repasses vinculados ao acordo e citam suspeitas de irregularidades envolvendo a capacidade técnica da entidade, sua situação fiscal, a intervenção administrativa e a possível participação de empresas na execução dos serviços.

A Santa Casa foi procurada pela reportagem para informar se pretende se manifestar sobre a abertura do inquérito civil e sobre a recomendação direcionada à entidade, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

O caso também terá novo desdobramento na Câmara de Casa Branca. O vereador Renato Romano informou à reportagem que o gestor da Santa Casa, Willian Vieira Lemes, não comparecerá à convocação da Comissão de Saúde, marcada para esta sexta-feira (08). Em ofício, a Santa Casa comunicou a “impossibilidade de comparecimento” e pediu a designação de uma nova data, preferencialmente em 19 de maio, caso haja disponibilidade.

Inquéritos

A primeira recomendação foi encaminhada pelo MPF ao prefeito de São José do Rio Preto. Nela, o órgão recomenda a suspensão imediata de novos pagamentos referentes ao convênio, quando feitos com recursos do Sistema Único de Saúde decorrentes de repasses da União, até que sejam esclarecidas a legalidade e a regularidade fiscal do ajuste. O prazo dado ao município para manifestação foi de 5 dias úteis.

A segunda foi dirigida ao Fundo Nacional de Saúde (FNS). O MPF recomenda a suspensão de repasses ao município de São José do Rio Preto destinados especificamente à contratação investigada, até que a regularidade do ajuste seja verificada pelo órgão federal. No documento, o MPF menciona uma contratação considerada atípica, no valor de R$ 8,4 milhões, de uma empresa que, segundo a recomendação, executaria de fato a realização de 62.930 exames de imagem pretendidos pelo município. O prazo para manifestação do FNS é de 15 dias.

A terceira foi enviada ao interventor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca. O MPF recomenda que a instituição interrompa ou suspenda imediatamente qualquer pagamento ou repasse a terceiros, como locadores de carretas ou outros prestadores, com verbas recebidas de São José do Rio Preto relacionadas ao convênio. O prazo indicado para manifestação é de 2 dias.

Nos documentos, o MPF afirma que as recomendações têm como base irregularidades apontadas na portaria de instauração do inquérito civil. Entre os pontos mencionados estão a situação de intervenção da Santa Casa, a fragilidade fiscal da entidade, a suspeita de ausência de capacidade técnica e operacional para cumprir o objeto do convênio e a chamada “atípica interposição de empresas” para a prestação dos serviços.

Um dos pontos que ainda dependem de esclarecimento público é a situação dos valores já pagos à Santa Casa. Até o momento, faltam informações detalhadas sobre a devolução dos R$ 4,7 milhões que, segundo informações divulgadas sobre o caso, devem retornar aos cofres da Prefeitura de São José do Rio Preto após a anulação do convênio.

O MPF ressalta, nas recomendações, que as medidas não encerram a atuação do órgão e não impedem novas recomendações ou outras iniciativas envolvendo agentes públicos, entes públicos ou demais responsáveis relacionados ao objeto investigado.

A reportagem segue acompanhando o caso e atualizará as informações caso a Santa Casa se manifeste oficialmente ou caso haja novos posicionamentos dos órgãos públicos envolvidos.

Fonte:

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp