A Câmara Municipal de Casa Branca realizou, na noite de terça-feira (19), uma reunião marcada por debates regimentais e manifestações políticas durante a participação do provedor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, William Vieira Lemes. O gestor foi convidado pela presidência da Casa para prestar esclarecimentos sobre o convênio firmado entre a instituição hospitalar e a Prefeitura de São José do Rio Preto.
A sessão foi inicialmente conduzida pelo vice-presidente da Câmara devido à ausência da presidente Fabiana Sandoval, que, segundo informado em plenário, estava em Ribeirão Preto acompanhando tratamento médico do esposo.
Logo no início dos trabalhos, foi lido o convite oficial encaminhado ao provedor da Santa Casa para comparecimento à reunião. Em seguida, vereadores divergiram sobre a forma de participação de William na tribuna.
O vereador Renato Romano apresentou questão de ordem alegando que o provedor não havia se inscrito previamente para uso da Tribuna do Povo, conforme prevê o regimento interno. Segundo ele, caso William se manifestasse na condição de convocado, os parlamentares teriam direito a realizar questionamentos durante a explanação.
Outros vereadores defenderam que o gestor fosse ouvido sem interrupções, argumentando que havia presença de munícipes interessados nos esclarecimentos e limitação de tempo para início da sessão ordinária. Após debate entre os parlamentares, o presidente em exercício submeteu a questão ao plenário.
Por cinco votos a três, os vereadores decidiram autorizar que William Vieira Lemes utilizasse a tribuna apenas para realizar sua explanação, sem responder perguntas naquele momento. Votaram favoravelmente os vereadores Murilo, Lucas Leite, Matheus do Mercado, Alberto Zogbi e Marcus Vinicius.
Durante sua fala, o provedor afirmou que assumiu a gestão da Santa Casa em um cenário financeiro considerado “extremamente complexo”, citando passivos superiores a R$ 12 milhões em débitos federais e cerca de R$ 800 mil relacionados ao FGTS.
Segundo William, a atual administração conseguiu regularizar a situação fiscal da instituição, obter certidões negativas e manter ativo o CEBAS certificado federal concedido a entidades filantrópicas que, conforme explicou, gera economia anual superior a R$ 3 milhões em encargos patronais.
O gestor também destacou investimentos realizados na estrutura hospitalar, incluindo aquisição de mamógrafo, raio-X digital, aparelho de densitometria óssea e a previsão de chegada de um tomógrafo nos próximos dias.
Outro ponto citado foi a implantação de atendimento voltado a crianças neurodivergentes no município. De acordo com ele, a Santa Casa atende atualmente cerca de 250 crianças laudadas e estruturou uma rede especializada com profissionais como neuropediatra, psicóloga e terapeuta ocupacional.
Ao abordar o convênio firmado com São José do Rio Preto, William afirmou que o modelo segue práticas já adotadas por outras entidades filantrópicas e organizações sociais da saúde em diferentes cidades do estado. Segundo ele, o objetivo do contrato é ampliar a prestação de serviços e gerar novas receitas para fortalecer financeiramente a Santa Casa de Casa Branca.
O provedor também rebateu críticas feitas nas últimas semanas sobre a legalidade e capacidade operacional da instituição para executar os serviços previstos no convênio. Em tom crítico, afirmou que parte das manifestações teria caráter político e disse que a Santa Casa não abrirá mão do acordo firmado.
Ainda durante a explanação, William declarou que a instituição continuará buscando novos convênios e prestação de serviços externos como forma de ampliar arrecadação e investimentos na unidade hospitalar.
Ao final, o gestor agradeceu a presença dos colaboradores da Santa Casa, vereadores e munícipes, colocando a instituição à disposição para futuros esclarecimentos por meio de requerimentos oficiais encaminhados pela Câmara Municipal.