Casa Branca surpreendeu o país com seu time de basquete, campeão da divisão de acesso do Paulista em 1998, classificado para o Campeonato Nacional em 1999 e fazendo campanha histórica em 2000. Um dos nossos grandes rivais naquela época era o Flamengo de Oscar Schimidt. O ex-jogador Murilo Giordan e o técnico Marco Antônio Aga recordam os duelos contra o “mão santa” e o clube do Rio de Janeiro.
O AGF Casa Branca enfrentou o Flamengo em diversas oportunidades. Em 2000, foram sete partidas, sendo duas na primeira fase (uma vitória pra cada lado) e cinco pelas quartas de final, que acabou com classificação dos cariocas por 3 a 2 na série.

Oscar e os fãs mirins em jogo na ACCPE em Casa Branca nos anos 2000 (Foto: Arquivo/Marco Antônio Aga)
Giordan jogava de Ala, mesma posição que Oscar, que já era o grande nome e ídolo do basquete nacional. Eram muitos duelos individuais entre os dois. E não era fácil marcar o maior jogador da história da modalidade no país.
“A gente é do mesmo tamanho, então era minha responsabilidade marcá-lo. Sempre tive muita dificuldade de me manter até o final da partida porque com toda a experiência e o jogo concentrado nele, eu ficava pendurado de falta. E no basquete, cinco faltas você sai do jogo. Eu já ia pro final do primeiro tempo com três faltas. Então, ele era difícil de marcar. Foi um privilégio muito grande”, diz Murilo Giordan.
Mas o casa-branquense conta que ganhou o respeito do adversário nos duelos, pois no fundamento em que Oscar se tornou especialista e mudou a história da modalidade, Giordan também era decisivo.
“Meu fundamento sempre foi o arremesso de três pontos, então ele me respeitava muito quando jogava contra porque sabia que se eu arremessasse livre, a possibilidade de acertar seria muito grande. Ele gostava muito de mim e eu de enfrentá-lo. Foram momentos muito legais na carreira”, conta.

Jogadores: Gastão, Adriano, Paulão, Rappa, Ricardo e Minhoca; Sentados: Murilo, Toni Harris, Té, Fábio, Zanon e Marcelinho. Técnico: Marco Antônio Aga (Foto: Arquivo Pessoal)
Liga Nacional de 2000
Jogando no Ginásio do Maracanãzinho, em 30 de janeiro de 2000, Casa Branca estreou no campeonato nacional contra o Flamengo. Os donos da casa venceram por 83 a 70.
No retorno da competição, em 24 de março, o Ginásio da ACCPE estava lotado para esse confronto. E Casa Branca venceu por 96 a 91.
No final da primeira fase, o Flamengo ficou em 3º e Casa Branca em 6º. Pelo regulamento, os dois foram adversários nas quartas de final. Por ter se classificado melhor, os cariocas decidiram em casa na melhor de cinco partidas.
O técnico Marco Antônio Aga foi o comandante da equipe casa-branquense nos tempos de ouro da modalidade no município. Ele destaca que o time surpreendeu a todos por estar jogando pela primeira vez o Brasileiro e já se ter classificado para as quartas de final.
“A gente levava até duas mil pessoas por jogo. O basquete viveu seu melhor momento. Sempre falo que através do basquete colocamos Casa Branca no mapa do Brasil porque tínhamos matérias em emissoras de TV e vários jogos transmitidos ao vivo. Tenho muito orgulho de ter participado disso ao lado de tantos casa-branquenses que lutaram muito para que isso acontecesse”, comenta o treinador.
No primeiro jogo das quartas, em 26 de maio, vitória para Casa Branca na ACCPE por 89 a 87.
Na partida 2 da série, em 28 de maio, realizada no Rio de Janeiro, o Flamengo venceu por 99 a 80.
O jogo 3, em 30 de maio, também na cidade maravilhosa, é considerado uma das maiores vitórias dos casa-branquenses na história do basquete. No Maracanãzinho, placar de 82 a 77 para o time paulista.
Na partida de número 4, em 2 de junho, os rubro-negros venceram por 83 a 78. Mas há uma polêmica envolvendo esse jogo que não pôde ser realizado em Casa Branca. “Por pressão do Flamengo, tiraram o jogo da ACCPE e fomos obrigados a jogar em São José do Rio Pardo. Perdemos essa partida”, explica Marco Antônio Aga. Há quem diga que, se disputada na ACCPE, o placar poderia ser diferente, pois o ginásio casa-branquense era um caldeirão.
Com a série empatada em 2 a 2, a decisão foi para o Rio. Com as duas equipes passando dos cem pontos, quem levou a melhor foi o Flamengo, que venceu por 127 a 104 e finalizou a série em 3 a 2.
Depois de passar por Casa Branca nas quartas e Uberlândia na semifinal, o Flamengo perdeu o título para o Vasco.
Já o Casa Branca ficou algumas temporadas na primeira divisão e fez outros icônicos confrontos com o Flamengo e outros clubes importantes do basquete. Em breve, a gente conta mais sobre essa história.

Futuro
O sonho de todo amante de basquete de Casa Branca é que um dia o profissional possa voltar. Porém, o investimento é alto e até o momento, não há luz no fim do túnel para isso acontecer.
Murilo Giordan sugere trazer jogos profissionais, mesmo que num primeiro momento, Casa Branca não tenha uma equipe profissional. Mas isso irá fomentar a modalidade no município e atrair investidores para que no futuro, possa novamente disputar as principais competições.