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Memórias

Casa Branca e sua história no Basquete - Professor Marcos Monteiro

Da ousadia contra gigantes às conquistas históricas, a cidade construiu uma trajetória marcante nas quadras

Publicado em 23/04/2026 às 13:33
Atualizado em

Time de Basquete de Casa Branca - 1968 - De pé: Ponga, Testa, Sufe, Celso , Carvalho, Nandão Salotti. Agachados: Paulo Alexandre, Brother, Vandico, Vartim Gonçalves, Adolfinho e Marcio Bacci (Foto: https://mclaralira.wordpress.com/)

Por Professor Marcos Monteiro

Com o recente falecimento de Oscar Schmidt, maior cestinha da história da seleção brasileira e um dos maiores ídolos do esporte nacional, o basquete voltou ao centro da pauta esportiva. Em Casa Branca, essa lembrança ganha um significado especial. Como o próprio Oscar dizia, em tom bem-humorado: “Casa Branca é a maior do mundo”. A frase traduzia a ousadia de um pequeno município que, dentro de quadra, não se intimidava diante dos gigantes — chegando a disputar uma semifinal de Campeonato Brasileiro justamente contra o Flamengo liderado por ele.

Mas essa história começa muito antes.

Me contaram que, ainda em 1942, Casa Branca já se destacava nos Jogos Abertos do Interior, sob o comando de Antônio Carvalho, com uma equipe forte liderada por nomes como Adelino Pellegrini e Marçon. Décadas depois, a tradição se consolidaria em partidas memoráveis na quadra 7 de Abril, do Instituto de Educação

Um dos episódios mais marcantes ocorreu na década de 1960, na final do Troféu Bandeirantes. A equipe de Casa Branca — formada por jogadores como Testa, Jacu, Sufe, Nandão, Paulinho Alexandre, Ponga, Dorfo e Waltinho — enfrentou São José do Rio Pardo, que também reunia grandes talentos da época. O primeiro confronto terminou com vitória dos visitantes por apenas dois pontos, decidida com uma cesta nos segundos finais, dentro de Casa Branca.

A resposta veio à altura: poucos dias depois, fora de casa, Casa Branca venceu por 12 pontos de diferença. O jogo decisivo, realizado em São João da Boa Vista, consagrou a equipe casabranquense como campeã, em uma conquista que entrou para a memória esportiva da região.

Esses confrontos marcaram uma geração e inspiraram novos talentos ao longo do final dos anos 1960 e durante toda a década de 1970. Nesse período, equipes locais acumularam títulos colegiais e regionais, consolidando Casa Branca como uma das forças do basquete no interior paulista.

Professor Marcos Monteiro/Casa Branca

Evolução

O passo mais ousado viria no fim dos anos 1980. Em 1986, o então prefeito Walter Avancini retomou os projetos da modalidade e, em parceria com a ACCPE, viabilizou a participação do município nas divisões de acesso da Federação Paulista de Basquete. Era um movimento ambicioso, que representava a profissionalização do esporte local"

Professor Marcos Monteiro/Casa Branca

O projeto contou com forte apoio do comércio e da torcida, criando uma atmosfera única na cidade. Sob o comando do técnico Rui Sasso, os resultados começaram a aparecer, e Casa Branca conquistou o acesso à primeira divisão estadual.

Paralelamente, houve investimento nas categorias de base — um trabalho fundamental para a continuidade do projeto. Foi nesse contexto que iniciou sua trajetória o técnico Marco Antonio Aga, que, ainda nas categorias juvenis, levou a equipe ao vice-campeonato paulista em um quadrangular final realizado no ginásio da ACCPE.

Na equipe principal, Casa Branca passou a contar com atletas de projeção nacional, viabilizados por parcerias empresariais importantes, com destaque para lideranças locais como Matias Romano e Paulo Roberto Tavares (Chato). Esse período consolidou o município no cenário estadual e elevou o patamar do basquete casabranquense.

Como em muitos projetos esportivos, no entanto, os desafios financeiros acabaram impondo limites. O modelo não se sustentou por tempo indeterminado, e decisões tomadas à época ainda refletem na realidade da ACCPE.

Ainda assim, o legado permanece.

O basquete trouxe conquistas, identidade e aprendizado para Casa Branca. Mais do que vitórias, deixou lições sobre disciplina, coletividade e superação. Hoje, nomes como Tertu, Juninho e Tânia Ventura mantêm viva essa tradição, dedicando-se à formação de novas gerações.

A história mostra que sonhar grande sempre fez parte do DNA esportivo da cidade. E o futuro do basquete local passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento das categorias de base e pelo reconhecimento de quem continua trabalhando, dia após dia, para que essa paixão siga pulsando dentro e fora das quadras.

Fonte: Professor Marcos Monteiro

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