Recentemente recebemos dados do CAGED de nossa região para o último ano. O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) é um registro do Ministério do Trabalho que monitora admissões e demissões formais no Brasil e, portanto, seu resultado demonstra o balanço de quanto novas pessoas entraram no mercado de trabalho, e quantas saíram. Quando, por exemplo, uma pessoa sai de um emprego e entra em outro, o saldo é zero.
Os resultados de Casa Branca foram de quase estabilidade, com um discreto avanço de 0,5%.Precisamos analisar esses dados com muito cuidado. Em economia, quando nos deparamos com apenas um único dado, somos impelidos a fazer uma análise superficial e que não reflete necessariamente a realidade. Quando cruzamos esses dados com os resultados do nosso último censo, vemos que a população praticamente não cresceu e, portanto, é de se esperar que tenhamos estabilidade nos empregos. Assim, os resultados não são de todo ruim.
O que ocorre é que não estamos conseguindo gerar novos cargos de maneira orgânica, ou seja, que as empresas não estejam crescendo de maneira a gerar demanda de mais mão de obra. Isso significa que, quando temos a estabilidade nos empregos, ou temos uma ação interna por busca de maior eficiência, ou então as empresas não estão crescendo em taxas que justifiquem novas contratações. E aqui, exatamente aqui, está o grande problema.
O comércio é, e sempre será, o grande coração da economia. Essa é um operação que viabiliza que o cliente final tenha acesso a produtos, além de prover serviços essenciais. Nas sociedades modernas, esse é o grande centro de geração de emprego e sustentação da economia. Entretanto, quando a sociedade econômica gira quase exclusivamente em torno do comércio (o que é o caso de Casa Branca), temos uma grande suscetibilidade econômica. Os fluxos econômicos focam apenas em circular o dinheiro, ao invés de gerar riquezas. Em linhas gerais, o comércio pega o dinheiro de uma mão e coloca em outra, gerando pequenos lucros nos processos. A atividade industrial, em qualquer escala, por outro lado, transforma matérias primas em produtos, gerando lucros e salários altos. A combinação de atividades comerciais e industriais são fundamentais para que possamos evoluir economicamente.
Por outro lado, é preciso compreender que o desenvolvimento industrial e econômico precisam de, pelo menos, três pilares de sustentação: logística, infraestrutura e mão de obra qualificada. Casa Branca possui dois desses elementos consolidados. A posição logística da cidade é uma das melhores do Brasil, por estar em um entroncamento de várias estradas de alta mobilidade, proximidade a aeroportos internacionais e um elo de conexão das regiões sul e norte do Brasil. Em relação a infraestrutura, ainda temos que avançar em relação aos distritos industriais, mas estamos no caminho certo, enquanto temos relativa abundância de energia, água e um clima estável. O campo em que temos muitas oportunidades de crescimento está na mão e obra qualificada.
Dispomos na cidade de uma juventude ávida por oportunidades, que precisa ser mais desafiada a seguir carreiras industriais como engenharias, química, física, logística e gestão de alto nível. Jovens são vasos que precisam ser preenchidos, e por mais que os poderes públicos e associações se dediquem a mostrar caminhos, nada tem mais efeito que a força da família sobre eles. E não falo sobre pais que dão exemplo de dedicação aos estudos, mas pais que se dediquem a mostrar aos filhos os caminhos abertos e o que precisam fazer para atingir seus sonhos.
Espero que esses dados do CAGED nos faça olhar para a nossa situação. Estamos com estabilidade de empregos, mas isso não pode ser o suficiente. Precisamos criar condições para gerarmos mais riquezas, e tudo passa pela expansão do parque industrial. Isso aumentará o número de empregos qualificados, aumentará nossa capacidade de investimentos públicos, aumentará nossa riqueza e implicará em mais empregos no comércio. Esse é o ciclo virtuoso que trará um novo futuro. E jamais ocorrerá se nossos jovens não se dedicarem a profissões que os coloquem dentro dele.
Nossa região é rica e temos todas as condições. Que sejamos os mentores e inspiradores da juventude para que daqui poucos anos estejamos celebrando um vultuoso saldo positivo.