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Perfis fake e contas anônimas podem ser identificados

O anonimato pode parecer proteção, mas não impede a identificação e a responsabilização

Publicado em 13/02/2026 às 11:48
Atualizado em

Perfis fake e contas anônimas podem ser identificados (Foto: Amanda Cortez Marçon/Arquivo Pessoal)

Eu percebo que muitas pessoas ainda acreditam que criar um perfil falso é uma forma segura de atacar alguém sem consequências. Essa sensação de proteção é ilusória.

A internet não é um território sem regras. Toda ação deixa rastros. E esses rastros podem ser utilizados para identificar quem está por trás de um perfil anônimo.

Muita gente pensa que basta usar um nome falso ou apagar a conta depois da postagem para evitar problemas. Não é assim que funciona. Plataformas digitais mantêm registros técnicos de acesso. Quando há indícios de ofensa, ameaça ou ataques à reputação de alguém, é possível solicitar judicialmente a preservação e o fornecimento desses dados.

Os tribunais têm determinado, inclusive por meio de decisões liminares, que empresas como Facebook, Instagram e outras plataformas forneçam todas as informações relacionadas ao perfil investigado, mesmo quando a conta já foi excluída. Isso inclui dados como endereço de IP, e-mails cadastrados, informações técnicas de acesso e outros registros que permitem chegar à identificação do responsável. O fato de o perfil ser anônimo, fake ou já ter sido apagado não impede essa apuração, pois os registros permanecem.

Dra. Amanda Cortez Marçon - Marçon Advocacia

Responsabilidades

Eu costumo dizer que a internet amplia vozes, mas também amplia responsabilidades.

Dra. Amanda Cortez Marçon - Marçon Advocacia

Uma publicação ofensiva pode alcançar centenas ou milhares de pessoas em poucos minutos. O dano é rápido e muitas vezes irreversível.

É importante deixar claro: opinião é diferente de ofensa. Criticar é um direito. Humilhar, ameaçar, injuriar, difamar ou espalhar mentiras não é.

Quem pratica esse tipo de conduta, por meio de perfis fake ou escondida atrás do anonimato, pode ser responsabilizado, inclusive com obrigação de remover o conteúdo e indenizar a vítima. Dependendo da situação, também pode responder criminalmente.

Existe ainda um ponto que muitos ignoram: o medo não deve ser de quem denuncia, mas de quem pratica o abuso. A tecnologia evoluiu, e os mecanismos de identificação também. A falsa sensação de anonimato tem levado muitas pessoas a ultrapassar limites que jamais ultrapassariam pessoalmente.

Eu entendo que as redes sociais são espaço de debate. Mas debate não combina com covardia. Quando alguém cria um perfil falso para atacar, geralmente faz isso acreditando que nunca será descoberto. Essa crença é um erro.

Antes de publicar qualquer coisa, vale uma pergunta simples: eu sustentaria essa afirmação com meu nome verdadeiro? Se a resposta for não, talvez o conteúdo não devesse ser publicado.

O ambiente digital não é diferente do mundo real. As palavras têm peso. E as consequências também.

Informação é prevenção. Conhecer esses limites é essencial para que as redes sociais continuem sendo espaço de diálogo e não de ataques escondidos atrás de máscaras virtuais.

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