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papo de especialista

Quando as mulheres empreendem, a comunidade floresce - Homero Souza

As mulheres são capazes de trabalhar, construir, gerar vida e ainda manter a leveza que parece nascer da própria poesia da criação

Publicado em 14/03/2026 às 09:56
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Quando as mulheres empreendem, a comunidade floresce - Homero Souza (Foto: Divulgação)

"Empreendedorismo feminino não transforma apenas a renda. Ele transforma a estrutura social da comunidade." - Muhammad Yunus, economista e fundador do Grameen Bank


Desde que assumi a presidência da Associação Comercial de Casa Branca procurei dedicar atenção especial ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. Não no sentido de conduzir esse movimento, mas de garantir que ele tivesse plena autonomia para florescer. Inspirado pela fascinante trajetória de Carmen Contin à frente da Biophitus — pessoa com quem compartilho a vida — entendi que o papel da presidência não era dirigir o caminho do CMEC, mas permitir que ele construísse suas próprias pautas, seus projetos e seus eventos. Essa autonomia foi, acredito eu, o elemento fundamental para o sucesso que hoje testemunhamos.

Logo no início da gestão fui questionado se teríamos “pernas” suficientes para apoiar as mulheres nesse caminho. Lembro-me de ter respondido que talvez a pergunta estivesse invertida. Bastaria caminhar com atenção pela Rua da Estação e observar o cotidiano do comércio da cidade para perceber que o nosso ambiente negocial já é, em grande medida, predominantemente feminino. Nesse contexto, talvez não precisássemos de “pernas” para apoiar, mas de olhos atentos para reconhecer.

Homero Souza/Presidente da ACE/Casa Branca

Reconhecimento

No final das contas, não se trata propriamente de apoiar ou ajudar. Trata-se de reconhecer a força gigantesca dessa energia vital que move o cotidiano das nossas empresas, das nossas famílias e da própria comunidade.

Homero Souza/Presidente da ACE/Casa Branca

Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade que tem dificuldade de reconhecer plenamente o papel da mulher. Sempre que tenho oportunidade faço referência a um livro que muito me marcou. O teólogo William P. Young, autor do best-seller A Cabana, escreveu também um livro chamado Eva, no qual descreve com poesia e sensibilidade a dignidade feminina. Em determinado momento ele lembra que “a mulher foi criada para ser portadora da vida e da esperança”.

Essa frase carrega um peso histórico profundo. Apesar de séculos de subjugação, a mulher sempre foi o eixo silencioso que sustentou a construção da vida social. Foi esse olhar, muitas vezes invisível, que nos ajudou a sair da condição de simples bandos humanos para nos tornarmos comunidades organizadas. A presença feminina moldou nossa capacidade de convivência, de cuidado e de evolução social.

Na era posterior à Revolução Industrial — em que as relações econômicas passaram a ocupar um lugar central na vida das sociedades — é natural que esse protagonismo também se manifeste no campo do empreendedorismo. Reconhecer esse papel não é apenas uma questão de justiça histórica. É também uma questão de inteligência social.

Diverti-me bastante nesta semana observando uma cena curiosa. Um homem, fruto de séculos de construção do estereótipo masculino de autoridade, oferecia conselhos empresariais e técnicos à equipe do CMEC durante a preparação da quinta edição do Happy Hour CMEC. As mulheres que compõem esse grupo — hoje diretoras proeminentes da Associação Comercial — estão à frente desse evento há cinco anos e já inscreveram seus nomes na história recente de Casa Branca.

Seus encontros não são apenas celebrações com boa comida, vinho e roupas elegantes. São, sobretudo, um elaborado mosaico de integração empresarial, que gera conexões, parcerias e colaborações ao longo de todo o ano. Olhares mais atentos perceberão que talvez nunca tenhamos visto em nossa cidade um nível de interação empresarial tão profundo quanto aquele que surgiu depois que essas mulheres passaram a ocupar, com naturalidade e competência, os espaços que lhes pertencem.

Quanto ao homem que tentou assumir o papel de mestre naquele momento, elas agradeceram gentilmente e seguiram com o trabalho. De minha parte, espero apenas que ele tenha percebido algo importante: se quiser aprender alguma coisa sobre empreendedorismo e construção de comunidade, talvez seja prudente seguir essas mulheres extraordinárias.

Tenho plena confiança de que o empreendedorismo feminino em Casa Branca está em excelentes mãos. As mulheres são capazes de trabalhar, construir, gerar vida e ainda manter a leveza que parece nascer da própria poesia da criação.

A nós, homens, resta um privilégio que muitas vezes esquecemos de reconhecer: a oportunidade de aprender com elas. Aprender que empreender não é apenas gerar riqueza ou abrir negócios, mas também transformar estruturas sociais, fortalecer comunidades e construir um mundo mais digno para todos.

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