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Usuários da Cracolândia estão sendo tratados em Casa Branca

Saiba detalhes sobre o tratamento e o futuro do Centro de Reabilitação

Publicado em 26/07/2023 às 15:55
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Centro de Reabilitação de Casa Branca recebe usuários de drogas para tratamento (Foto: Weslen Maximo/Portal da Cidade Casa Branca)

Usuários de crack do centro de São Paulo, local conhecido como “Cracolândia”, estão internados em tratamento contra às drogas no Centro de Reabilitação de Casa Branca. Em entrevista exclusiva ao Portal da Cidade, o diretor da instituição, Oberdan Lopes Nogues Jr., explica como é o tratamento, detalhes sobre as internações e futuro do hospital.

Segundo Oberdan, os dependentes químicos são abordados por agentes de saúde nas ruas do da capital paulista e aqueles que aceitam o tratamento, são enviados para um centro de triagem, conhecido como HUB, no qual, os pacientes são direcionados às instituições do estado como o Centro de Reabilitação de Casa Branca.

“Não é uma internação compulsória, a pessoa está buscando tratamento, buscando sair do mundo das drogas. E nós, como hospital especializado em saúde mental, damos apoio a esses usuários”, comenta.


Vista aérea do complexo do CRCB (Foto: Serra) 

Atualmente, 13 pacientes estão em Casa Branca, que disponibiliza quatro quartos com cinco leitos cada. Essas pessoas são tratadas de forma humanizada e com itinerário cheio durante o período de internação que pode durar até 90 dias. Elas passam pela desintoxicação e abstinência, um momento difícil. São acompanhados por médicos psiquiátricos e clínicos, psicólogos, dentistas, entre outros profissionais. Também fazem atividades como oficinas terapêuticas e contam com seis refeições diárias. Para o lazer há quadra poliesportiva, academia e área verde.

“Vamos proporcionar essas atividades do dia-a-dia pra eles saírem dessa situação e terem condições de viver em sociedade, terem um trabalho digno e com a família deles”, destaca o diretor.

Após o período de internação, agentes do HUB levam o paciente de volta à cidade de origem e fazem uma nova avaliação para saber quais os próximos passos do tratamento para cada pessoa.

Sobre a segurança, Oberdan garante que não há perigo e que agentes monitoram os pacientes 24h. “Eles estão vindo porque eles querem. Se essa pessoa decide que ela não quer continuar o tratamento, o HUB vem buscar esse paciente. Eles estão em tratamento, vão ter crises de abstinência, vão querer voltar para a família deles. Mas a gente tem um protocolo de evasão, caso eles saiam da unidade”, destaca.


Sala de banho antiga virou museu (Foto: Ipatrimonio.org)

Cocais tem loucos?

O termo é pejorativo, mas era assim que a sociedade tratava quem era paciente desse lugar. Mas engana-se quem pensa que o local sempre foi um hospital psiquiátrico. O Cocais é uma cidade isolada que foi construída na década de 1930 para pessoas com lepra. Os moradores tinham alto poder aquisitivo, mas por causa da doença, não podiam viver em sociedade. Então, a Colônia Cocais foi construída. Tinha cassino, cinema, igrejas, campos de futebol, padaria, cemitério, jardins e plantações. Era uma cidade autossustentável.


Cine Cocais continua em funcionamento até os dias atuais (Foto: Portal da Cidade)

Com a erradicação da doença, na década de 1970 iniciou o tratamento da psiquiatria no Cocais. Devido a superlotação do Manicômio do Juqueri em Franco da Rocha, muitas pessoas com problemas mentais foram enviadas às colônias que existiam em algumas cidades do estado.

Em 2001, com a Lei Paulo Delgado, o tratamento passou a ser humanizado para com esses pacientes mentais. E também houve o fechamento gradual de manicômios e hospícios existentes no país.

O Centro de Reabilitação ainda tem pacientes com problemas mentais que chegaram naquela época onde o tratamento não era humanizado. Hoje, cerca de 140 pessoas moram no complexo e têm suas residências. Elas recebem os cuidados e são idosas. Podem circular livremente dentro do Cocais. Também é permitido ir à cidade e viajar, por exemplo.


Casas existentes no local, algumas ativas e outras desativadas (Foto: Ipatrimonio.org)

“Essas pessoas que aqui estão em reabilitação merecem viver em sociedade. Casa Branca é uma cidade acolhedora, tem sete residências terapêuticas com moradores que eram daqui e que hoje vivem em sociedade. Tem uma que mora sozinha e paga seu próprio aluguel”, diz o diretor.

Nova realidade


Nova ala construída recentemente no complexo (Foto: Serra)

Novos prédios foram construídos no complexo do Centro de Reabilitação. Durante a pandemia, esses locais receberam pacientes com covid-19. Atualmente funciona como um hospital para pacientes paliativos (doenças terminais) e cuidados prolongados.

Os cuidados prolongados são para pacientes que não correm risco de morte, mas que não podem receber alta, pois precisam de um acompanhamento. Esses pacientes deixam a Santa Casa e são tratados no Centro de Reabilitação, desafogando o sistema de saúde. O período de internação pode chegar a 90 dias.

“Temos capacidade de 67 leitos para cuidados prolongados e estamos com 95% da capacidade com possibilidade de ampliação”, destaca Oberdan.

Geração de emprego

Casa-branquenses e muitos profissionais da região trabalham diariamente no local, como profissionais da saúde, limpeza, serviços gerais e seguranças. São aproximadamente 800 colaboradores diretos e indiretos prestando serviço no Centro de Reabilitação de Casa Branca.

Veja a entrevista com o diretor do CRCB:


Fonte: Portal da Cidade Casa Branca

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