CRISE NA SAÚDE
Cirurgiões interrompem plantões na Santa Casa de Casa Branca
Médicos dizem que pagamentos foram regularizados, mas vínculo contratual não foi formalizado após semanas de negociação.
Publicado em
17/09/2026 às 07:41
Atualizado em
O grupo de médicos de Cirurgia Geral que presta serviços à Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca comunicou a interrupção dos plantões de urgência em regime de disponibilidade. Em ofício datado de 14 de setembro, ao qual o Portal da Cidade teve acesso, os profissionais afirmam que a decisão foi tomada após cerca de 40 dias de tentativas para formalização de um novo contrato com o hospital.
A Santa Casa foi procurada pelo Portal da Cidade, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem. O Departamento Regional de Saúde (DRS) também foi procurado e encaminhou o pedido de informações à Imprensa Oficial do Estado, que ainda não respondeu.
Até o momento, não há esclarecimento oficial sobre como está sendo garantida a cobertura dos casos de urgência em Cirurgia Geral após a interrupção dos plantões pelo grupo médico.
PAGAMENTOS FORAM REGULARIZADOS
No documento enviado a Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, ao Departamento Regional de Saúde (DRS), A Secretaria de Saúde do Município de Casa Branca, ao prefeito municipal, a Câmara Municipal, ao Ministério Público e ao Conselho Federal de Medicina (CFM), os médicos relatam que o impasse teve inicialmente dois pontos: pagamentos pendentes e ausência de um novo contrato.
Segundo o grupo, aproximadamente 40 dias antes da interrupção foi encaminhado um primeiro ofício à Santa Casa informando que os plantões de disponibilidade não poderiam ser mantidos caso as pendências não fossem solucionadas.
Após essa comunicação, de acordo com os próprios cirurgiões, a Santa Casa quitou os valores que estavam pendentes.
A questão financeira, portanto, foi solucionada naquele momento. O impasse permaneceu na formalização do vínculo.
Os médicos afirmam que as condições para o restabelecimento dos serviços e para o novo contrato chegaram a ser discutidas previamente com a administração, mas o documento não teria sido formalizado.
Ainda segundo o grupo, durante o período foram realizadas reuniões, conversas e contatos por WhatsApp na tentativa de chegar a um acordo. Os profissionais sustentam que permaneceram disponíveis para negociação, mas não conseguiram concluir uma reunião para formalização definitiva do contrato.
GRUPO DIZ QUE HOUVE AVISO PRÉVIO
No ofício, os cirurgiões destacam que a interrupção não ocorreu de maneira repentina.
Segundo os profissionais, a suspensão foi precedida por comunicação formal, negociações e prazo para que a situação contratual fosse resolvida.
O grupo argumenta que a continuidade dos plantões sem um instrumento vigente tornou-se inviável diante das responsabilidades relacionadas ao atendimento de urgência e emergência.
Os médicos também afirmam que permanecem abertos à retomada das atividades, desde que as condições sejam previamente estabelecidas e formalizadas por meio de um novo contrato.
COMO FICAM AS URGÊNCIAS?
O documento não informa quantos médicos compõem o grupo nem qual estrutura passou a responder pelos casos que necessitam de avaliação de um cirurgião.
Também não esclarece se houve transferência de pacientes para hospitais de outros municípios após a interrupção.
Essas questões foram encaminhadas diretamente à Santa Casa pelo Portal da Cidade.
A reportagem perguntou ainda se existe outro profissional ou equipe garantindo a cobertura da especialidade e se há previsão para retomada dos plantões ou contratação de novos cirurgiões.
Nenhuma dessas perguntas havia sido respondida pela instituição até a publicação desta reportagem.
Ao DRS, o Portal questionou o impacto da interrupção sobre a assistência, como deverão ser referenciados os pacientes enquanto o serviço permanecer suspenso e quais providências estão sendo adotadas.
O pedido foi encaminhado pelo Departamento à Imprensa Oficial do Estado, e o Portal da Cidade aguarda o posicionamento.
NOVO EPISÓDIO NA SANTA CASA
A interrupção dos plantões de disponibilidade de Cirurgia Geral ocorre em um período marcado por outros impasses sobre as condições financeiras, administrativas e assistenciais da Santa Casa.
Em agosto, o diretor médico da instituição, Dr. José Renato Furlanetto Romano, encaminhou denúncia a órgãos de fiscalização relatando problemas que, segundo ele, envolviam medicamentos, insumos, equipamentos e dificuldades financeiras e operacionais.
O caso também chegou ao Legislativo. Durante a sessão de 1º de setembro, o vereador Dr. Alberto Zogbi (MDB) defendeu que a Câmara investigue os acontecimentos envolvendo a instituição.
“Eu acho que a gente, como vereador, tem obrigação de estar investigando o que está acontecendo nessa instituição”, afirmou.
Também em setembro, o vereador Márcio Sabaini (PL) apresentou pedido para criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) destinada a investigar questões relacionadas à saúde municipal e à Santa Casa.
O Portal da Cidade mantém espaço aberto para manifestação da Santa Casa e aguarda o retorno solicitado ao Estado. A reportagem será atualizada caso novos esclarecimentos sejam apresentados.
Fonte: Portal da Cidade Casa Branca
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