ORGULHO NO ESPORTE
Minha mãe disse para eu não desistir: atleta está entre os 20 melhores da seletiva da NBA
Jovem de Casa Branca transformou as dificuldades do início da carreira em motivação e agora vive o maior desafio da sua trajetória no basquete
Publicado em
06/07/2026 às 16:06
Atualizado em
Aos 15 anos, o jovem Vitor Gabriel Almeira, de Casa Branca, conquistou uma importante etapa na carreira esportiva ao garantir vaga para a fase final do Next Gen Clinic, programa de desenvolvimento da NBA Basketball School Brasil que reúne alguns dos principais talentos do basquete nacional nas categorias de base. Agora, ele segue na disputa por uma das dez vagas que darão direito a representar o Brasil em uma experiência internacional totalmente custeada pela NBA.
A notícia da classificação chegou de forma inesperada. O atleta conta que recebeu uma ligação na manhã de quinta-feira comunicando que havia sido selecionado para as finais.
"Fiquei muito feliz. Eu queria muito isso. Saber que passei para as fases finais é inexplicável. Ser um dos classificados é uma sensação incrível. Eles me ligaram de manhã e eu nem sabia o que falar. Agora estou dando o meu máximo e treinando bastante para as fases finais. Se Deus quiser, quero passar e representar o Brasil."

Momento em que Vítor recebe a notícia da classificação ao lado de sua mãe, Joice Almeida- Foto: Arquivo Pessoal
A clínica seletiva reuniu atletas de alto nível em uma avaliação intensa, com mais de três horas de duração. Segundo Vitor, os candidatos foram observados durante todo o treinamento. "O treino foi dividido em aquecimento, testes físicos, situações de jogo como dois contra um e três contra dois, além do coletivo cinco contra cinco. Fomos avaliados o tempo todo."
Na visão do atleta, algumas características foram determinantes para a classificação. "Acho que minha altura e a posição em que jogo ajudaram bastante. Sou ala-armador, tenho um bom arremesso e consigo cortar bem para a cesta. Quando cheguei, acharam que eu era pivô, mas quando viram que jogava aberto ficaram surpresos."
Da escolinha em Casa Branca ao SESI Franca
Vítor durante partida pelo SESI Franca - Foto: Arquivo Pessoal
A trajetória de Vitor começou aos oito anos, em uma escolinha de basquete em Casa Branca. No início, o esporte era apenas uma atividade, mas tudo mudou dois anos depois, quando passou a treinar no DECET.
Ele lembra que quase desistiu após sofrer provocações durante os treinos, mas uma conversa com a mãe mudou completamente sua história. "Eu cheguei muito mal em casa porque estava sendo zoado nos treinos por ser meio gordinho. Minha mãe conversou comigo e falou para eu não desistir. Foi a partir desse momento que me apaixonei pelo esporte."
Desde então, a dedicação passou a fazer parte da rotina. "Eu passava minhas horas livres em uma quadra ou com uma bola na mão. Todo dia acordava querendo ser melhor."
O esforço trouxe resultados. Aos 12 anos, destacou-se em competições e chamou a atenção durante um campeonato em Bauru. Pouco tempo depois recebeu o convite para atuar em Franca. "Com 13 anos já estava em uma cidade que eu nem conhecia, fazendo o que eu amo. Hoje, com 15 anos, jogo na base do SESI Franca e estou me destacando no Campeonato Paulista."
Gratidão a quem faz parte da caminhada
Vitor faz questão de reconhecer as pessoas que contribuíram para sua evolução dentro e fora das quadras. Entre elas estão treinadores, psicóloga, amigos e familiares.
Ele destaca o treinador Anselmo, que lhe deu a oportunidade de atuar em Franca; Luiz Flávio, que o acolheu no clube; o atual técnico Jhonatan, pelos conselhos constantes; a psicóloga Flávia e seu filho, pelo apoio nos momentos difíceis; além do amigo João Comparini e sua família, que ajudaram na adaptação à nova cidade.
Mas o maior agradecimento é direcionado à mãe. "Ela nunca me deixou. Saiu de Casa Branca para ficar comigo em Franca e é a pessoa que mais se esforça para que eu corra atrás dos meus sonhos."
Vitor e sua mãe - Foto: Arquivo Pessoal
Orgulho de representar Casa Branca
Mesmo atuando atualmente por Franca, Vitor faz questão de levar consigo as origens. "É incrível representar Casa Branca. É uma cidade pequena, mas que carrego com muito carinho. Alguns anos atrás eu nem imaginava chegar onde cheguei hoje. É uma honra poder dizer que nasci e cresci nessa cidade."
Sonho de vestir a camisa do Brasil
O objetivo final do programa é selecionar dez atletas para uma experiência internacional representando o Brasil. Para Vitor, esse é um sonho que pode mudar sua carreira.
"Seria um sonho realizado. Acho que todo atleta da base pensa em ter uma oportunidade como essa. Uma das minhas metas também é defender a Seleção Brasileira nas categorias de base. Só de representar o Brasil já seria uma experiência incrível."
Entrevista interrompida... por um jogo
A conversa com o Portal da Cidade precisou ser interrompida em um momento especial. Vitor tinha um compromisso importante: entrar em quadra pelo SESI Franca contra o time de Mauá.
E a pausa valeu a pena. Em uma partida equilibrada, o Franca venceu por apenas dois pontos de diferença. Depois do jogo, a entrevista foi retomada, e o atleta revelou a rotina intensa que enfrenta para conciliar estudos e treinamentos.
"Estudo das 7h até 12h20. Quando saio da escola vou direto para o SESI, almoço lá e começo o treino às 14h30. Depois faço academia e ainda treino com a categoria Sub-16 até as 19h. Quando chego em casa faço as tarefas da escola e organizo minhas coisas."
Vitor durante jogo pelo SESI Franca - Foto: Arquivo Pessoal
Com disciplina, talento e muita dedicação, o jovem de Casa Branca segue escrevendo uma história que começou nas quadras da cidade e que agora pode ganhar um capítulo internacional vestindo as cores do Brasil.
Fonte: Portal da Cidade Casa Branca
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