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Homenagem ao Ídolo

Oscar Schmidt em Casa Branca: a cidade que enfrentou a lenda e saiu vitoriosa

A vitória de 96 a 91 sobre o Flamengo de Oscar em 2000 ficou na história. Descubra como a pequena Casa Branca enfrentou a lenda do basquete

Publicado em 18/04/2026 às 10:32
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Oscar e os fãs mirins em jogo na ACCPE em Casa Branca nos anos 2000 (Foto: Marco Antônio Aga)

A morte de Oscar Schmidt nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, deixa em Casa Branca uma lacuna que vai muito além do esporte. Aqui, a lenda do basquete brasileiro viveu momentos memoráveis que marcaram gerações de torcedores.

Marcelo Barbosa, o Té, um dos grandes nomes do basquete casabranquense, relembra com emoção as passagens de Oscar pelo ginásio da ACCPE. "Oscar, quando vinha em Casa Branca, tinha a certeza de que estava numa cidade pequena, mas com uma torcida fervorosa. O ginásio cabia mil pessoas e tinha duas mil quando ele vinha aqui", conta Té, que enfrentou o ídolo diversas vezes como adversário.

Oscar Schmidt durante partida contra Casa Branca - Foto: Youtube/Reprodução

Uma particularidade marca essa história: Oscar nunca venceu um jogo em Casa Branca. Mas isso nunca diminuiu o respeito da torcida. "Ele sempre era o cestinha da partida. Ao mesmo tempo, era ovacionado e homenageado por todos nós. Também era provocado pela torcida que pegava no pé dele, mas ele tinha muito carinho por nós", relembra Té.

Oscar e os fãs mirins em jogo na ACCPE em Casa Branca nos anos 2000 (Foto: Arquivo/Marco Antônio Aga)

O momento mais emblemático aconteceu em março de 2000, quando Casa Branca enfrentou o Flamengo de Oscar. Com mais de 1.600 torcedores no ginásio, a equipe casabranquense conquistou uma vitória histórica por 96 a 91. Oscar marcou 43 pontos, convertendo sete bolas de três pontos e dez lances livres. "Oscar deu um show naquele dia. Mas o que mais marcou foi a humildade dele depois do jogo", comenta Té.

Conforme registrado pelo jornal Nosso Berrante da época, Oscar saiu muito bravo com a arbitragem, mas fez questão de destacar a esportividade e a recepção da torcida de Casa Branca. Após a partida, conquistou corações muito além da quadra. "Ele conversou com torcedores, distribuiu autógrafos, pegou crianças no colo. Mostrou que por trás do mito existe o homem Oscar, íntegro, honesto e inteligente", destacou o jornal  "Mais do que uma aula de basquete, Oscar nos deu uma aula de humanismo".

Recorte do Jornal "Nosso Berrante" de 6 de abril de 2000 - Foto: Té Barbosa/Arquivo Pessoal

Té também relembra os playoffs de 2000, quando Casa Branca enfrentou o Flamengo no Rio de Janeiro. "Nós ganhamos um jogo lá na playoff do ano de 2000. Fizemos dois a um. No quarto jogo, em São José do Rio Pardo, eu me machuquei no primeiro minuto com uma cotovelada. E sabe o que Oscar falou? Que seria muito mais difícil ter conquistado essa vaga no playoff se eu estivesse jogando. Isso foi falado em toda a mídia nacional", recorda com orgulho.

Oscar Schmidt e Té Barbosa durante homenagem de Casa Branca ao ídolo "Mão Santa" - Foto: Té Barbosa/Arquivo Pessoal

"Quando o Oscar voltou pro Brasil, ele mudou a importância do basquetebol. Mudou a relação do torcedor com o esporte. Todo lugar que ele ia jogar enchia de gente. Casa Branca não era exceção. Eu tinha uma relação muito legal com ele porque fomos adversários, mas também havia muito respeito", finaliza Té.

Liga Nacional de 2000

Jogando no Ginásio do Maracanãzinho, em 30 de janeiro de 2000, Casa Branca estreou no campeonato nacional contra o Flamengo. Os donos da casa venceram por 83 a 70.

No retorno da competição, em 24 de março, o Ginásio da ACCPE estava lotado para esse confronto. E Casa Branca venceu por 96 a 91.

No final da primeira fase, o Flamengo ficou em 3º e Casa Branca em 6º. Pelo regulamento, os dois foram adversários nas quartas de final. Por ter se classificado melhor, os cariocas decidiram em casa na melhor de cinco partidas.

O técnico Marco Antônio Aga foi o comandante da equipe casa-branquense nos tempos de ouro da modalidade no município. Ele destaca que o time surpreendeu a todos por estar jogando pela primeira vez o Brasileiro e já se ter classificado para as quartas de final.

“A gente levava até duas mil pessoas por jogo. O basquete viveu seu melhor momento. Sempre falo que através do basquete colocamos Casa Branca no mapa do Brasil porque tínhamos matérias em emissoras de TV e vários jogos transmitidos ao vivo. Tenho muito orgulho de ter participado disso ao lado de tantos casa-branquenses que lutaram muito para que isso acontecesse”, comentou o treinador ao Portal da Cidade em reportagem de 23/05/2023. (Clique aqui e relembre)

No primeiro jogo das quartas, em 26 de maio, vitória para Casa Branca na ACCPE por 89 a 87.

Na partida 2 da série, em 28 de maio, realizada no Rio de Janeiro, o Flamengo venceu por 99 a 80

O jogo 3, em 30 de maio, também na cidade maravilhosa, é considerado uma das maiores vitórias dos casa-branquenses na história do basquete. No Maracanãzinho, placar de 82 a 77 para o time paulista.

Na partida de número 4, em 2 de junho, os rubro-negros venceram por 83 a 78. Mas há uma polêmica envolvendo esse jogo que não pôde ser realizado em Casa Branca. “Por pressão do Flamengo, tiraram o jogo da ACCPE e fomos obrigados a jogar em São José do Rio Pardo. Perdemos essa partida”, explica Marco Antônio Aga. Há quem diga que, se disputada na ACCPE, o placar poderia ser diferente, pois o ginásio casa-branquense era um caldeirão.

Com a série empatada em 2 a 2, a decisão foi para o Rio. Com as duas equipes passando dos cem pontos, quem levou a melhor foi o Flamengo, que venceu por 127 a 104 e finalizou a série em 3 a 2.

Depois de passar por Casa Branca nas quartas e Uberlândia na semifinal, o Flamengo perdeu o título para o Vasco.

Já o Casa Branca ficou algumas temporadas na primeira divisão e fez outros icônicos confrontos com o Flamengo e outros clubes importantes do basquete. 

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