Nosso município tem prestigiado as manifestações culturais? Essa pergunta certamente provocará várias manifestações favoráveis e contrárias, pois a definição do que é efetivamente uma manifestação cultural também é razão de discórdia, mas, neste texto, procurarei me limitar ao que não é controverso.
Um espaço que certamente é associado a essas manifestações no passado é o Cine Teatro Casa Branca, onde ocorreram eventos como os festivais de música popular, eventos de dança, apresentações com artistas famosos e, por que não, filmes que marcaram a memória de muitos casa-branquenses. Tive a oportunidade de participar da elaboração e execução do projeto de reforma, com a ampliação do palco, na década de 80, durante a gestão Walter Avancini. Naquela ocasião, a cultura era uma das atividades ligadas à área que eu dirigia na Prefeitura.
Para muitos, o tempo passou, e o prédio que abrigava essas manifestações culturais é hoje apenas um imóvel abandonado e sem qualquer destinação de interesse público. Então, por que não reformá-lo? Já ouvi alegações sobre o alto custo dessa obra e, a essas pessoas, respondo que custo alto e injustificado é manter um patrimônio como aquele parado, sem que a população possa usufruir dele.
Pois bem, também já disseram que um cinema para 800 pessoas, como era no passado, ficaria extremamente ocioso, já que o hábito de frequentar o cinema diminuiu muito em nossa cultura moderna. Minha proposta é que o projeto de reforma seja voltado para transformá-lo em um centro cultural, onde várias manifestações tenham abrigo e oportunidade para se desenvolver. Acredito que poderíamos subdividi-lo e contemplar uma sala de cinema e teatro para 300 pessoas, enquanto o restante do espaço seria dividido para permitir que, em salas adaptadas, pudéssemos abrigar escolas de música, dança, artesanato e tantas outras manifestações culturais que ocorrem em nosso município.
Os recursos para essa obra e outras complementares, necessárias à nossa cultura, poderiam vir do orçamento municipal e de emendas parlamentares, hoje tão em moda na política nacional e que, muitas vezes, são mal aplicadas, talvez por falta de alternativas que efetivamente interessem à maioria da população, como seria o caso desta proposta.
Defendo ainda que poderíamos realizar eventos nesses espaços que nos permitissem remunerar nossos artistas como forma de incentivá-los a persistir. E, para aqueles que não acreditam ser isso possível, seguem minhas contas: se pagássemos R$ 500,00 (quinhentos reais) por evento aos nossos artistas, seriam nove eventos por final de semana, ou seja, três em cada praça de Casa Branca, Lagoa Branca e Venda Branca, às sextas-feiras, sábados e domingos. Portanto, seriam R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) por final de semana. Como o ano tem 52 semanas, nosso gasto para incentivar nossos artistas seria de R$ 234.000,00 (duzentos e trinta e quatro mil reais) por ano.
Portanto, se compararmos esse valor com os gastos realizados em alguns eventos em Casa Branca, como, por exemplo, um evento de bike em Lagoa Branca, que custou ao município R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais) e foi realizado em apenas um final de semana, fica claro que são valores ínfimos para o município incentivar seus novos talentos.
Quero deixar claro que os grandes eventos e os grandes artistas são e serão sempre bem-vindos, mas eles não são instrumentos que cuidam de estimular nossa cultura e nossos artistas. Por isso, defendo gastos que tenham essa prioridade e proponho as obras de remodelação do antigo Cine Teatro Casa Branca, sua transformação em um centro cultural e a realização de obras complementares em nossas praças públicas, permitindo que nossa população identifique e conheça seus talentos.
Essas propostas estão longe de esgotar as alternativas para nossa cultura, que é rica e merece receber a atenção devida!