Portal da Cidade Casa Branca

Memória Viva

Casa Branca celebra os 90 anos do escritor Ganymedes José

Nascido em 15 de maio de 1936, Ganymedes marcou a literatura infantojuvenil e eternizou Casa Branca em seus livros.

Publicado em 15/05/2026 às 13:29
Atualizado em

Casa Branca celebra os 90 anos do escritor Ganymedes José (Foto: Ilustrativa)

Casa Branca presta homenagem, nesta sexta-feira (15), à memória de Ganymedes José, escritor casabranquense que completaria 90 anos de idade. Nascido em 15 de maio de 1936 e falecido em 9 de julho de 1990, o autor deixou uma das trajetórias mais marcantes da cultura local e da literatura infantojuvenil brasileira, fazendo de sua cidade natal não apenas o lugar onde viveu, mas também uma presença constante em sua obra.

 A ligação de Ganymedes com Casa Branca foi muito além do registro de nascimento. Professor, escritor, cronista, pesquisador, compositor e participante ativo da vida cultural da cidade, ele ajudou a transformar a memória casabranquense em narrativa, afeto e identidade. Entre seus livros, um dos exemplos mais simbólicos dessa relação é “Uma Vez, Casa Branca...”, publicado em 1973, obra que completou 50 anos em 2023 e foi tema de artigo do pesquisador Sérgio A. Scacabarrozzi no Portal da Cidade (clique aqui e relembre).

No texto publicado em outubro de 2023, Scacabarrozzi recorda que o livro representou uma das grandes contribuições de Ganymedes à memória de sua terra querida. A obra nasceu do desejo do escritor de encontrar uma história de Casa Branca contada com humanidade, simplicidade e proximidade. O próprio Ganymedes resumiu essa inquietação em uma frase preservada no livro: “Desde pequeno, eu sempre esperei que alguém me contasse a história de Casa Branca. Deveria ser uma história diferente, cheia de calor humano, simples, honesta e gostosa... E ninguém me sabia responder!”

Publicado com patrocínio da Prefeitura Municipal de Casa Branca, durante a administração do então prefeito Ary Marcondes do Amaral, “Uma Vez, Casa Branca...” reuniu pesquisa histórica, memória oral e imaginação literária. Segundo o artigo de Scacabarrozzi, Ganymedes consultou jornais antigos, atas da Câmara Municipal e livros da Igreja Matriz para construir uma narrativa sobre a formação e o desenvolvimento do município.

O resultado não foi uma obra de caráter acadêmico, mas um livro escrito para aproximar o leitor da história da cidade. Com linguagem leve, personagens, cenas e episódios costurados pelo olhar de contador de histórias, Ganymedes apresentou Casa Branca como território de memória, pertencimento e afeto. Para Scacabarrozzi, o maior mérito do livro não está no rigor histórico absoluto, mas na capacidade de despertar nos leitores o interesse pelas origens da cidade e no amor evidente que atravessa suas páginas.

A relação entre o escritor e Casa Branca começou cedo. Ainda jovem, Ganymedes participou de atividades artísticas e culturais do município. Em 1958, venceu o concurso promovido pela Prefeitura Municipal para a criação dos símbolos municipais, contribuindo para a elaboração do brasão e da bandeira de Casa Branca.

Também esteve presente em festivais de música, eventos religiosos, jornais locais e ações voltadas à preservação do patrimônio histórico e religioso da cidade.

Filho de João de Oliveira e Rita Conceição dos Santos de Oliveira, Ganymedes cresceu em Casa Branca, estudou na cidade e iniciou sua vida profissional ligado ao cartório da família. Formou-se em Direito pela PUC de Campinas e, depois, em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo, dedicando-se ao magistério e à escrita.

A literatura, no entanto, tornou-se o grande caminho de sua vida. Ganymedes escreveu seu primeiro livro, “O Porquinho Teimoso”, ainda aos 8 anos de idade, recebeu menção honrosa no Concurso Literário Galeão Coutinho aos 16 anos.

Entre as décadas de 1970 e 1980, Ganymedes tornou-se um dos nomes mais lidos da literatura infantojuvenil brasileira. Publicou por editoras como Ediouro, Moderna, Brasiliense, Salesianas Dom Bosco, Atual, Editora do Brasil e outras, com obras que circularam em escolas, bibliotecas e casas de leitores de várias gerações.

Recebeu prêmios como o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1976, e o Prêmio Jabuti, em 1985.

Mesmo reconhecido nacionalmente, Ganymedes manteve Casa Branca como referência afetiva. Em artigo publicado pela Gazeta de Vargem Grande, Scacabarrozzi destaca que o escritor fez da cidade personagem de muitos livros, levou o nome de Casa Branca para leitores de todo o país e registrou personagens, espaços e lembranças que poderiam ter se perdido com o tempo.

Essa permanência talvez explique por que, décadas depois de sua morte, Ganymedes ainda é lembrado não apenas como autor, mas como parte da identidade cultural de Casa Branca. A cidade aparece em sua trajetória como origem, cenário, inspiração e missão. Ganymedes teria dito, ainda criança, que queria ser escritor “para trabalhar por minha terra”.

Aos 90 anos de seu nascimento, a homenagem ao escritor também renova uma reflexão sobre a preservação de sua obra. “Uma Vez, Casa Branca...”, publicado em edição pequena e hoje difícil de ser encontrado, segue vivo no imaginário local. No artigo de 2023, Scacabarrozzi lembra que a reedição do livro esbarra em dificuldades relacionadas aos direitos do espólio do autor, mas ressalta a importância de manter viva a obra que apresentou Casa Branca aos próprios casabranquenses.

O aniversário de Ganymedes José é uma oportunidade para reconhecer a força de um legado que atravessa livros, salas de aula, bibliotecas, memórias familiares e histórias da cidade. Seu nome permanece ligado à capacidade de transformar o cotidiano em literatura e de mostrar que uma cidade do interior também pode ser grande quando contada com amor, talento e verdade humana.

Nesta sexta-feira (15), Casa Branca celebra, portanto, não apenas os 90 anos de nascimento de um escritor. Celebra um filho da terra que escreveu para o Brasil, mas nunca deixou de escrever com os olhos voltados para sua cidade. Em cada página, Ganymedes José ajudou Casa Branca a se reconhecer, a se lembrar e a permanecer.

Fonte:

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp