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MEMÓRIAS

A família Romano e um século de história na política de Casa Branca

Publicação percorre mais de 100 anos de história familiar, reunindo fatos, homenagens e a participação de três gerações na política local.

Publicado em 30/06/2026 às 11:23
Atualizado em

A família Romano e um século de história na política de Casa Branca (Foto: Acervo Família Romano)

Por Renato Baraldi Romano

Partindo do pressuposto realístico de que uma comunidade é formada através das realizações de seus integrantes, devemos atribuir o devido respeito e a importância que cada cidadão possui em sua linha temporal de contribuições e feitos em sua cidade.

Entre inúmeros importantes cidadãos que já habitaram essa terra bandeirante, destaca-se os integrantes da família Romano e suas relevantes contribuições para a sociedade e para a política de Casa Branca.

Esta jornada se iniciou ainda em 01 de abril de 1924 com o nascimento de Laércio Romano, quem posteriormente viria a ser respeitosamente chamado de “Soberano” pelos políticos de sua época.

Foto de Laércio Romano na Câmara Municipal - Foto: Acervo Família Romano

Filho de Matias Romano e Maria das Graças Bonvicino Romano, Laércio foi voltado ao trabalho desde muito cedo, formado em fotografia e sempre dedicado ao exercício comunitário em diversas entidades sociais, Laércio adentrou no serviço público estadual como agente comunitário de saúde.

Ingressou na politica ainda muito jovem e logo comprovou sua fantástica habilidade máxime, a sua facilidade e intimidade no uso das palavras.

Invariavelmente era escolhido como orador oficial em festas e solenidades programadas pela Câmara Municipal de Casa Branca- SP.

Entre diversos projetos de sua autoria que foram aprovados, destaca-se o qual instituiu o troféu jabuticaba, destinado a homenagear as pessoas que se destacavam nos setores sociais, políticos e esportivos em nossa querida cidade.

Presidiu a Câmara Municipal em 1968, 1973 e 1974, sempre se sobressaindo pelo dom da oratória e por seus posicionamentos firmes em defesa da comunidade de Casa Branca.

Infelizmente o destino levou o saudoso Laércio muito cedo, ainda com seus 54 anos de idade, deixando um enorme vazio no coração da nossa gente , de seus três filhos Fernando Furlanetto Romano, José Renato Furlanetto Romano e Lélia Maria Furlanetto Romano, e também de sua viúva, a Sra. Maria Lina Furlanetto Romano, falecida em agosto de 2001. 

Convite para a missa de 7º dia de Laércio Romano - Foto: Acervo/Família Romano

Laércio Romano faleceu no ano de 1979, em 22 de novembro, no pleno exercício da vereança. 

A Folha de Casa Branca estampou o discurso proferido pelo colega vereador e escritor, Percival Bacci, na tribuna do legislativo, com o título “O povo simples chora a morte do amigo de todas as horas”, destacando a figura popular do extinto. 

Artigo de Percival Bacci - Foto: Acervo/Família Romano

“Difícil, senhor presidente, difícil, senhores vereadores, nossa missão nesta tribuna, nesta noite triste, para focalizar a ausência do querido companheiro Laércio Romano. Inconformados, surpresos, abatidos, sentimo-nos como que diante de um fato absurdo e irreal, um sonho indesejável, um terrível pesadelo, experimentando ainda, de quando em quando, no mais profundo do ser, um desejo, um mutilado anseio, uma destroçada esperança de que tudo não fosse verdade, que o sonho mau vai passar e que tornaremos a ve-lô, firme no seu posto, intransigente como sempre na exposição de suas verdades, positivo, resoluto na defesa dos mais altos interesses de Casa Branca, a sua querida cidade sesquicentenária, a quem sempre serviu com apaixonada determinação e lealdade!

E ainda que não possamos ter, queridos companheiros, essa felicidade, essa alegria, diante da inexorabilidade dos fatos que nos apontam friamente sua ausência como definitiva e inelutável, certo é que por longo tempo ainda o possuiremos aqui, entre nós: que tudo nesta casa fala dele, essas paredes estão impregnadas de sua presença, cada móvel, cada objeto, silenciosamente o evocam, tão expressiva e marcante foi sua atuação nesta respeitável casa de leis, por longas e seguidas legislaturas.

Se, nessa hora lutuosa e histórica, difícil se nos tornar expressar a profundidade do pesar pelo prematuro desaparecimento do casa-branquense Laércio Romano, é bem fácil, por outro lado, fixar em vários ângulos, a totalidade dessa perda: perde a tradicional família Romano o ilustre e querido filho, admirado irmão, amantíssimo pai, idolatrado tio; perde Casa Branca valoroso cidadão, destacado homem público, politico atuante e comprometido com suas altas inspirações da comunidade; perde esta Cãmara um de seus mais expressivos vereadores em toda a história das atividades locais; perde o Estado, na secretaria de saúde, sem lhe ter feito a devida justiça, um dos mais dedicados funcionários, com larga folha de serviços prestados na área administrativa e sanitária; perde os funcionários da delegacia e do centro de saúde de Casa Branca e região um dos seus mais queridos colegas; perde o povo simples, o povo humilde, o povo miúdo, o povo da periferia, o povo sofredor, o seu mais prestativo colaborador, o seu médico, o seu farmacêutico, o seu advogado, o seu orientador, o seu despachante, o seu amigo certo, sempre pronto a servir, as mãos sempre estendidas e com pronta solução para os mais diversos problemas.

Meus amigos, este é um discurso amargo, cuja oportunidade de fazer jamais desejaríamos ter tido.

Um discurso que vem, mais uma vez, desgraçadamente comprovar que as qualidades de um homem só parecem assumir a plena evidencia depois de sua morte.

Entretanto todos nós, desta casa, que longa e intimamente com Laércio Romano convivemos, podemos, sobranceiros, externar, paralelamente à dor e à inconformação pela morte de um grande amigo, também a certeza de sempre lhe ter, pessoalmente, reconhecido aquelas qualidades.

Como nos é bom, como nos é consolador poder afirmá-lo, ainda que numa hora triste como esta.

E também dizer que nos congratulamos de viva voz desta tribuna, com a folha de Casa Branca pela expressiva página que dedicou ao ilustre morto, fixando-lhe a grandeza da personalidade e curriculum-vitae, onde presentes se fizeram detalhes que, por certo, escapavam ao conhecimento ou a lembrança do povo desta cidade.

Adeus, Laércio.

Faço minhas, nesta Cãmara, nesta sua querida Câmara Municipal de Casa Branca, as palavras repassadas de respeito, amor, amargura e saudade, com que o nosso Paulo Fernandes lhe transmitiu, na necrópole, nosso último adeus.

Que a sua lembrança, imperecível, seja sempre uma inspiração para todos nós, nos trabalhos desta casa.” Vereador Percival Bacci, 1979.

Dias após o falecimento do saudoso Laércio, seus colegas prestaram suas últimas homenagens nomeando o plenário da Câmara Municipal com seu nome, “Plenário Laércio Romano”.

Plenário Laércio Romano - Foto: Arquivo Pessoal

A continuação de um legado

Em que pese as agruras do destino, seu legado não partiu consigo, mas foi repassado a um de seus filhos, o José Renato Furlanetto Romano.

José Renato, nasceu em 04 de março de 1955, de família humilde, obteve sua formação escolar no Instituto Educação (escola normal) e posteriormente, ingressou na Faculdade Estadual de Londrina- PR, onde cursou medicina.

Formou-se médico em 09 de julho de 1981, e em que pese a abertura de inúmeras portas naquele estado, assim como no Estado do Mato Grosso, José Renato não conseguiu negar suas raízes e nem tão pouco o chamado de sua cidade natal, vindo a retornar para Casa Branca no mesmo ano em que se formou.

Dr. José Renato Romano com seu filho Renato - Foto: Acervo Família Romano

Médico renomado em nosso município, José Renato também foi levado a contribuir com nossa sociedade através da política, sendo eleito vereador pela primeira vez no ano de 1988, ano da promulgação de nossa carta constituinte.

Após sua primeira eleição, José Renato foi novamente eleito por mais cinco oportunidades, quase todas sendo o vereador mais votado do município, além de ter presidido a Câmara Municipal por iguais vezes.

 Sobre as inúmeras realizações alcançadas em sua trajetória política, destacam-se a reforma do plenário “Vereador Laércio Romano”, a transformação da antiga biblioteca municipal em um auditório público, anexado ao prédio da Câmara Municipal, espaço este que hoje serve para atender nossa comunidade em suas reuniões culturais, sociais e políticas.


Dr. José Renato com lideranças políticas - Foto: Acervo Família Romano

Em sua presidência, também foi elaborada a Lei Orgânica Municipal, sob a relatoria do saudoso Sérgio Pistelli, além de inúmeros projetos de leis que até hoje, protegem e beneficiam a nossa população, como três dias de afastamento para as genitoras de nossa cidade, proibição de fogos de artificio com estampido e outras.

Em 1989, José Renato também fez questão em extinguir a aposentadoria para vereadores, garantindo moralidade, ética e transparência na politica municipal.

José Renato também já almejou eleições para prefeito de nossa cidade, tendo como seu vice, aquela época, o saudoso Antônio Carlos Orfei, vindo a perder as eleições para o saudoso e popular José Ap. Soriano.

Em outra oportunidade, se lançou ao cargo de vice-prefeito, ladeado pelo ex prefeito Marco César de Paiva Aga, oportunidade em que perderam as eleições para o saudoso Skandar Mussi e Antônio Carlos Saran.

Hoje, José Renato não esconde o desejo de ainda testemunhar o cargo do chefe do executivo de sua querida Casa Braca ser ocupado por um integrante da família Romano.

Em sua trajetória política, faz questão em ressaltar grandes amizades que cultivou na Câmara Municipal, como os Ilustres Sérgio Scacabarrozzi, Ana Virgínia Kiss, Reinaldo, Dona Fátima, Dona Eliana, Dr. Carlos Maschietto e outros, que até hoje, carrega grande afeto e admiração. 

Aos sessenta e cinco anos de idade, José Renato declarou ter cumprido seu papel político para com a cidade de Casa Branca, contudo, o legado que carregara não poderia restar encerrado.

Pai de Bruna Baraldi Romano, Renato Baraldi Romano e Antônio Ielo Romano, José Renato convocou seu filho do meio, Renato, para dar continuidade ao legado da família e na defesa dos interesses sociais, políticos e culturais da comunidade de Casa Branca.

Vereador Renato Romano durante sua posse em 2025 - Foto: Arquivo Pessoal

Renato Baraldi Romano, filho de José Renato e Maria Cristina Baraldi, nasceu em 10 de julho de 1992, na maternidade da Santa Casa de Misericórdia da cidade de Casa Branca.

Posteriormente, mudou-se com sua mãe para a cidade de São João da Boa Vista- SP, onde passou parte de sua infância e estudou o ensino infantil no colégio Objetivo, retornando a Casa Branca ainda jovem, com seus doze anos de idade.

Já em sua idade adulta, Renato cursou ciências jurídicas na Fundação de Ensino Octavio Bastos (UNIFEOS), na cidade de São João da Boa Vista- SP, formando-se bacharel em Direito ainda no ano de 2015.

Posteriormente, em 2016, Renato foi aprovado na Ordem dos Advogados do Brasil e passou a exercer a profissão, voltado à sua paixão pelo direito criminal, sendo Pós-graduado em Direito Penal e Prática Penal Avançada pela Faculdade Damásio de Jesus.

Defensor dos direitos individuais e das minorias sociais, agora Renato enfrentara um novo desafio: dar continuidade ao legado de sua família junto ao legislativo municipal, uma grandiosa responsabilidade vide a magnitude de seus antepassados.

Vereador Renato Romano e seu pai, Dr. José Renato Romano - Foto: Arquivo Pessoal

Em 2024, Renato foi eleito vereador por Casa Branca em sua primeira candidatura, pelo Partido da Renovação Democrática (PRD), obtendo 335 votos.

Logo no inicio de sua legislatura, Renato demonstrou a que e de onde veio, carregando características de seu avô Laércio, também ostenta habilidade no uso das palavras e um posicionamento firme em defesa do povo de Casa Branca.

Hoje, a tradição política da família Romano é representada e mantida viva pelas condutas e ações do vereador Renato, quem um dia também espera poder convocar seus herdeiros a darem continuidade neste legado e manterem viva a tradição em defender nossa gente sem cotejar os fortes ou esmorecer frente aos poderosos.

É certo que Renato, ainda tem muito a aprender e viver na politica, para quem sabe um dia, poder representar seus antepassados à altura de suas realizações.

A tradição de uma família é fundamental para preservar a identidade local e transmitir valores intergeracionais. 

Em Casa Branca, essas raízes fortalecem o sentimento de pertencimento, a coesão social e a economia, pois clãs históricos costumam impulsionar o empreendedorismo e o voluntariado comunitário.

A tradição de uma família na política municipal exerce forte influência por transferir capital político, histórico e relações de confiança ao longo das gerações.

Fonte: Vereador Renato Romano

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