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APOSTAS ONLINE

As BETs e o risco de uma geração endividada - Professor Marcos Monteiro

Uma conversa com três jovens em um supermercado de Casa Branca me fez refletir sobre os impactos das apostas on-line e a urgência desse debate

Publicado em 02/07/2026 às 12:50
Atualizado em

As BETs e o risco de uma geração endividada - Professor Marcos Monteiro (Foto: Portal da Cidade Casa Branca)

Por Professor Marcos Monteiro

O volume de apostas on-line, que já vinha preocupando a sociedade e os governos estadual e federal, chegou com força à nossa cidade já começa a ser encarado como um problema de saúde pública.

As chamadas BETs, autorizadas recentemente a operar no país, trouxeram consigo consequências que começam a provocar desarranjos preocupantes nas famílias brasileiras.

Muitos de nós comemoramos quando essas empresas passaram a patrocinar, com contratos milionários, os clubes de futebol pelos quais torcemos. Chegamos até a acreditar que poderíamos construir uma liga tão forte quanto a inglesa e, quem sabe, ver um jogador como Haaland atuando no futebol brasileiro.

Nos meios de comunicação, a entrada desses patrocinadores também transformou a estrutura financeira dos maiores veículos de mídia do país, movimentando cifras impressionantes. A Copa do Mundo que estamos acompanhando, disputada nos Estados Unidos, tem provocado mudanças significativas na preferência do público por determinados canais de transmissão, em grande parte graças ao peso desses investimentos publicitários.

Em Casa Branca, vivi recentemente um episódio que me deixou bastante preocupado. O que parecia ser uma conversa inocente entre três jovens em um supermercado, da qual participei porque pedi licença para ouvir, mostrou o quanto precisamos discutir esse tema como sociedade.

Professor Marcos Monteiro/Casa Branca

Prejuízo

Durante a conversa, ouvi primeiro uma reclamação sobre o cansaço causado por uma noite mal dormida. O motivo? Eles haviam passado a madrugada fazendo apostas on-line. Um deles contou que havia ganho R$ 60. Os outros dois, depois de muita insistência, confessaram que haviam perdido quase R$ 200 cada um naquela única noite."

Professor Marcos Monteiro/Casa Branca

A reflexão que precisamos fazer é simples: devemos criar mecanismos para impedir que essa epidemia continue se espalhando ou devemos acreditar na máxima liberal de que cada um deve assumir sozinho as consequências de suas escolhas?

Compreendo os argumentos de ambos os lados e os respeito. No entanto, pessoalmente, acredito que chegou a hora de restringirmos a publicidade das BETs, que alcançou no país um nível exagerado e, muitas vezes, cruel. Trata-se de uma propaganda voltada para a massificação da clientela, estimulando decisões impulsivas sem considerar as consequências que já assustam tantas famílias.

Nossos jovens, que infelizmente ainda enfrentam uma educação de qualidade insuficiente e, em muitos casos, desconhecem conceitos básicos de educação financeira, tornam-se presas fáceis desse tipo de publicidade. Ela utiliza a camisa do clube do coração, os maiores ídolos do esporte e artistas admirados para transmitir a ideia de que é possível ganhar dinheiro de forma rápida e fácil.

Acredito que as casas de apostas podem continuar funcionando, assim como já convivemos com outras modalidades de apostas exploradas ou autorizadas pelo próprio governo para arrecadação de recursos. Porém, a propaganda precisa ser contida, porque a grande maioria das pessoas não está preparada para recebê-la na intensidade e na forma como vem sendo apresentada.

É provável que, se essa restrição vier a acontecer, clubes, atletas, artistas e veículos de comunicação percam parte de suas receitas e se posicionem contra a medida. Ainda assim, acredito que esse seja um sacrifício necessário em nome de uma sociedade mais saudável.

Meus novos amigos do supermercado ouviram atentamente a recomendação que lhes fiz para que tomassem muito cuidado com esse caminho. Contaram, inclusive, que já estavam com a fatura do cartão de crédito atrasada.

Sinceramente, porém, acredito que, assim que virei as costas, a frase dita por eles deve ter sido: "Que velho chato..."

Fonte: Professor Marcos Monteiro

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