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EDITORIAL

Alagamentos recorrentes exigem prestação de contas em Casa Branca

Diagnóstico antigo e compromisso anunciado para maio tornam indispensável esclarecer o que foi executado e como a cidade pretende reduzir os riscos

Publicado em 13/10/2026 às 14:02
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Alagamentos recorrentes exigem prestação de contas em Casa Branca (Foto: Portal da Cidade)

A repetição dos alagamentos em Casa Branca exige que a administração municipal demonstre como os diagnósticos existentes se traduziram em intervenções e proteção aos moradores. Neste Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado em 13 de outubro, a cidade tem uma questão concreta a enfrentar: quais resultados pode apresentar depois de anos de ocorrências e de um compromisso de solução anunciado para maio?

O balanço da Defesa Civil divulgado no domingo sobre a chuva de sábado (10) apontou pelo menos 20 casas alagadas, três famílias desalojadas e 26 ocorrências. A cobertura do Portal da Cidade registrou dificuldades de circulação no Espraiado, alagamentos na Avenida Presidente Kennedy e danos no asfalto do Nazaré. Em Venda Branca, a tempestade de domingo (11) acrescentou danos em telhados, quedas de árvores e de um poste.

Um histórico que atravessa gestões

O arquivo jornalístico registra a persistência dessa vulnerabilidade. Houve alagamentos em março de 2022 e invasão de residências pela água em janeiro de 2023. Em janeiro de 2025, a Avenida Francisco Nogueira de Lima ficou alagada junto ao Espraiado. Ao fim daquele ano, moradores também questionavam a drenagem na revitalização da Presidente Kennedy. Em 2026, novos registros em janeiro e março antecederam os prejuízos de outubro. 

Esses episódios não permitem presumir que todos tiveram a mesma causa. Sustentam, entretanto, a necessidade de uma política contínua de redução de riscos. O histórico atravessa diferentes administrações: os estudos e as responsabilidades de planejamento precisam ter continuidade, enquanto a gestão atual deve prestar contas das medidas sob sua competência.

O diagnóstico e a situação atual da drenagem

Existe um diagnóstico relevante. O Plano Municipal de Saneamento Básico de novembro de 2021, ao citar o Plano de Macrodrenagem de 2018, informa que apenas três das 14 galerias mencionadas tinham capacidade suficiente. O número descreve a situação registrada naquele estudo. Sua importância hoje está em permitir uma cobrança objetiva: quais estruturas receberam intervenções e qual é a capacidade atual da rede?

O mesmo documento relaciona os problemas de drenagem à impermeabilização do solo, à perda de cobertura vegetal, ao assoreamento e à implantação de sistemas sem estudos hidrológicos atualizados. A água que se acumula nas partes baixas deve ser analisada em conjunto com o escoamento das áreas que a alimentam. A avaliação precisa identificar obstruções, limitações de capacidade e condições dos córregos para orientar a solução de cada ponto crítico. 

A Norma de Referência nº 12/2025 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico oferece um parâmetro para essa abordagem. Ela reúne planejamento, projetos, obras, operação e manutenção na estruturação da drenagem urbana e prevê a atualização de planos e o mapeamento de áreas vulneráveis. Esse referencial reforça a necessidade de tratar a drenagem como serviço permanente, com gestão e acompanhamento de resultados. 

Também é preciso esclarecer o resultado das revisões do planejamento municipal. A prefeitura abriu consulta pública entre novembro e dezembro de 2024, e o tema voltou a uma audiência em julho de 2025. Contudo, o arquivo vinculado à página dessa última audiência é idêntico ao plano datado de 2021. O Portal não localizou uma versão integral posterior nos canais consultados. 

A promessa para maio

A cobrança ganhou uma promessa no início deste ano. Em um podcast, representantes da administração anunciaram um estudo sobre a capacidade das bocas de lobo, prometeram apresentar os resultados à população e apontaram maio como prazo para a solução dos problemas. Transmitiram, naquele momento, uma mensagem de tranquilidade aos moradores.

O prazo anunciado passou, e os alagamentos voltaram a ocorrer. Cabe ao governo apresentar o estudo, demonstrar as intervenções realizadas e explicar o alcance de seus resultados. Se houve alteração de prazo, limitações técnicas ou obstáculos à execução, esses fatores precisam ser explicitados. A população deve conseguir relacionar o compromisso assumido ao que efetivamente foi entregue.

As medidas anunciadas pela prefeitura

A prefeitura informou nas redes sociais que equipes seguem com a limpeza, a desobstrução de galerias e a remoção de entulhos. Anunciou também levantamentos dos danos às residências pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania e uma campanha de doações organizada com o Fundo Social. São medidas necessárias à recuperação das áreas atingidas e ao atendimento das famílias.

O Portal procurou a administração para atualizar os dados dos temporais e as providências adotadas. Até a elaboração deste editorial, aguardava retorno ao pedido de informações. Os comunicados públicos registram a resposta emergencial; os esclarecimentos solicitados devem permitir acompanhar também o planejamento e a execução das medidas de prevenção.

Recursos, prioridades e resultados

A dimensão social desse trabalho merece prioridade. Nesta terça-feira (13), a agência da ONU para a redução do risco de desastres informou que as moradias representam 43% das perdas econômicas diretas comunicadas pelos países ao sistema de monitoramento do Marco de Sendai. A recuperação de uma residência compromete recursos familiares e pode prolongar os efeitos do desastre sobre o trabalho e a vida cotidiana. Proteger as áreas residenciais mais vulneráveis deve orientar a distribuição dos investimentos. 

Essa decisão exige transparência orçamentária. A prefeitura precisa indicar quanto destina à drenagem, quanto executou, quais projetos têm financiamento e quais intervenções permanecem pendentes. A Câmara, ao discutir o orçamento e fiscalizar o Executivo, deve acompanhar a correspondência entre essas prioridades, os recursos e a execução.

Há riscos que persistem mesmo em sistemas bem planejados. Por isso, obras e manutenção precisam se articular com monitoramento, alertas e preparação para emergências. A eficácia dessa política deve ser acompanhada por indicadores que permitam avaliar os pontos atingidos e os danos, considerando também a intensidade e a duração de cada chuva.

Casa Branca precisa de uma prestação de contas que reúna o diagnóstico atual, as intervenções executadas, os recursos disponíveis e um cronograma público para os pontos prioritários. O compromisso anunciado para maio torna essa explicação ainda mais necessária. Antes do próximo temporal, os moradores devem poder conhecer as medidas de proteção previstas e verificar seu andamento.

Doações às famílias atingidas: o Fundo Social recebe colchões, roupas de cama, vestuário, alimentos e produtos de higiene e limpeza na Avenida Dr. Francisco Nogueira de Lima, 194, Centro. Informações: (19) 3674-1000.

Fonte: Portal da Cidade Casa Branca

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