As pajens da rede municipal de Casa Branca intensificaram a mobilização pelo reconhecimento profissional e pelo enquadramento na carreira do magistério. A reivindicação ganhou repercussão após a divulgação, nas redes sociais, de um vídeo do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), membro titular da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo, em apoio à categoria. As profissionais também divulgaram uma carta aberta à população, na qual pedem respeito, justiça e valorização do trabalho realizado na educação infantil. (Leia na íntegra no final da reportagem)
No vídeo, Giannazi afirma que as pajens que exercem função docente diretamente com crianças da educação infantil devem ser reconhecidas como profissionais do magistério, independentemente da nomenclatura do cargo. O deputado cita a legislação federal e defende que o município cumpra as normas que tratam do piso nacional e da carreira do magistério.
“Quero manifestar o nosso total apoio [...] às pajens da cidade, do município de Casa Branca”, declarou o deputado estadual em vídeo divulgado nas redes sociais.
A mobilização tem como base a Lei Federal nº 15.326/2026, sancionada no início de 2026, que, segundo a categoria, altera a Lei nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A legislação passou a incluir explicitamente professores da educação infantil como profissionais do magistério, reconhecendo a integralidade entre cuidar, brincar e educar.
Na prática, as pajens defendem que a lei garante o enquadramento das profissionais que atuam diretamente com crianças educandas e possuem formação em magistério ou curso superior, mesmo quando ocupam cargos com outras denominações, como pajem, recreacionista ou auxiliar de desenvolvimento infantil. Para a categoria, o reconhecimento representa a possibilidade de acesso ao piso salarial nacional, remuneração mais justa, benefícios previdenciários e inclusão adequada em plano de carreira.
Em trecho da carta aberta divulgada à população de Casa Branca, as profissionais afirmam que a pauta vai além de uma reivindicação trabalhista e envolve a valorização de quem atua na base da formação das crianças.
“Esta não é apenas uma carta. É um chamado à consciência, ao respeito e à justiça”, diz o texto assinado pelas pajens da rede municipal de Casa Branca.
No documento, as profissionais afirmam que diariamente cuidam, acolhem e educam crianças em uma das fases mais importantes da vida. Elas relatam que, por anos, exerceram suas funções com dedicação, mesmo diante de condições que, segundo a categoria, não refletem a importância do papel desempenhado na rede municipal.
“Quando uma pajem é desvalorizada, não é apenas uma trabalhadora que perde — é toda a rede de cuidado, é a qualidade do atendimento, é o futuro das nossas crianças que é impactado”, afirma outro trecho da carta.
Durante a manifestação em vídeo, o deputado Carlos Giannazi também rebateu o argumento de eventual falta de recursos para o enquadramento. Segundo ele, os municípios recebem verbas vinculadas à educação, incluindo recursos do Fundeb, e devem aplicar o mínimo constitucional em educação. O parlamentar afirmou ainda que, caso o município alegue dificuldade financeira para cumprir o piso nacional do magistério, pode buscar suplementação junto à União, conforme previsto na legislação.
Giannazi também declarou que, caso o enquadramento não seja realizado, órgãos como o Tribunal de Contas e o Ministério Público poderão ser acionados. Para o deputado, a negativa de cumprimento da legislação federal pode configurar irregularidade administrativa.
A carta aberta reforça o pedido de apoio da sociedade casabranquense. As pajens afirmam que a efetivação do direito não deve ser ignorada, adiada ou tratada como detalhe administrativo. No texto, a categoria destaca que “cuidar de quem cuida das crianças é responsabilidade de todos”.
A mobilização segue em Casa Branca com o objetivo de sensibilizar a população, o poder público e os representantes municipais para a necessidade de reconhecimento profissional das pajens. As trabalhadoras afirmam que permanecerão unidas na defesa do cumprimento da legislação e da valorização da função exercida diariamente na educação infantil.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Casa Branca sobre o caso.
"CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE CASA BRANCA
À população de Casa Branca,
Esta não é apenas uma carta. É um chamado à consciência, ao respeito e à justiça.
Nós, pajens da rede municipal, profissionais que diariamente cuidam, acolhem e educam crianças em uma das fases mais importantes da vida, viemos a público expor uma realidade que por muito tempo foi silenciada: a falta de reconhecimento justo para uma função essencial à sociedade.
Não se trata apenas de trabalho. Trata-se de responsabilidade com vidas, com famílias e com o futuro da nossa cidade.
Durante anos, seguimos exercendo nossas funções com dedicação, mesmo diante de condições que não refletem a importância do nosso papel. Somos parte ativa do desenvolvimento infantil, contribuindo diretamente para a formação das nossas crianças — e, ainda assim, permanecemos à margem do devido reconhecimento profissional.
No entanto, um novo cenário se apresenta.
Com a sanção da lei em 06 de janeiro de 2026, surge o dever do poder público de corrigir essa distorção histórica. A legislação garante o reconhecimento das pajens de forma justa, respeitando as atribuições que de fato exercemos no dia a dia.
E é aqui que a sociedade precisa se posicionar.
A efetivação desse direito não pode ser ignorada, adiada ou tratada como detalhe administrativo. Trata-se de justiça. Trata-se de dignidade. Trata-se de valorizar quem cuida da base de tudo: as nossas crianças.
A população de Casa Branca precisa saber: quando uma pajem é desvalorizada, não é apenas uma trabalhadora que perde — é toda a rede de cuidado, é a qualidade do atendimento, é o futuro das nossas crianças que é impactado.
Por isso, pedimos mais do que atenção. Pedimos apoio. Pedimos voz. Pedimos que a sociedade esteja ao nosso lado na defesa do cumprimento dessa lei e do reconhecimento que nos é de direito.
Seguiremos firmes, comprometidas e unidas. Mas mudanças reais acontecem quando a coletividade se levanta.
Casa Branca é feita de pessoas. E cuidar de quem cuida das crianças é responsabilidade de todos nós.
Atenciosamente,
Pajens da Rede Municipal de Casa Branca"